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A MÁFIA VENCE OUTRA.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 16 de abril de 2006.



A Sicília é a secular terra da Máfia, que tem uma incrível capacidade de se infiltrar no poder do Estado e isto para atuar parasitariamente.

Em Palermo, capital mundial da criminalidade organizada, a Máfia, também conhecida por Cosa Nostra, já elegeu muitos políticos. Por exemplo, o prefeito Vitto Ciancimino, o euro-deputado Salvo Lima e teve como associado Giulio Andreotti, sete vezes primeiro ministro da Itália e mafiso reconhecido pela mais alta Corte de Justiça italiana.

Na vida política siciliana, o último grande escândalo a envolver Máfia e política ocorreu em dezembro.

O então governador da Sicília, Salvatore Cuffaro, apelidado de Totó, foi condenado por favorecer a Máfia, entregando aos seus representantes vultosas verbas destinadas a terceirizados serviços sanitários. Pouco antes dele, por associar-se à Máfia, condenou-se o senador Marcello del Utri, amigo fraterno e correlegionário de Silvio Berlusconi, futuro premiê italiano.

Totó recebeu a pena de 5 anos de prisão por favorecer concretamente a Máfia. Ele comemorou por ter escapado de enquadramento igual ao de Andreotti e Utri, ou seja, associação à Máfia.

Em razão da condenação, Totó Cuffaro renunciou ao governo da Sicília em dezembro de 2007. Mas, em janeiro de 2008 já estava nos palanques da UDC (União de Centro), que abriga os antigos membros da Democracia Cristã, partido extinto e ao qual pertenceu e presidiu Andreotti. Aos quadros da Democracia Cristã filiaram-se vários políticos apanhados na famosa Operação Mãos Limpas, de 1992.

Cuffaro uniu, em coalizão, o seu partido (UDC) com o de Berlusconi (PDL). E pela colizão saiu candidato ao Senado.

A antimáfia, por seu turno, reuniu-se em torno dos candidatos de esquerda (Arcobaleno) e centro-esquerda (Democráticos), liderados, respectivamente, por Fausto Bertinotti e Walter Veltrone, ambos candidatos derrotados que, pela maioria parlamentar, pretendiam alçar ao cargo de primeiro-ministro.

Pois bem. Cuffaro acaba de eleger-se senador. Saiu a distribuir caramelos, pois, quando condenado por favorecer a Máfia, ofertou os famosos cannoli (doce siciliano). Mais: acaba der anunciar que, em breve, será ministro da Agricultura.

Para piorar o quadro, a candidata ao governo - pela antimáfia - perdeu na Sicília. Anna Finocchiaro teve 36,2% dos votos. Perdeu para Raffaele Lombardo, dos democratas autonomistas, aqueles que se coligaram ao partido de Berlusconi.

Rita Borselino, irmã do juiz dinamitado pela Máfia, Paolo Boorselino, fez ferrenha oposição a Cuffaro, com odor de Máfia depois da condenação, e apoiou Anna Finocchiaro.

Nada adiantou. Num pano rápido, pode-se concluir que a Sicília civil, da antimáfia, perdeu para a velha Sicília, dos "capi-mafiosi".


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