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Sem Limites. Apanhado da Semana.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 13 de abril de 2008.



A tocha e a chama olímpicas adquiriram a cor tibetana, depois dos massacres em Lhasa e das manifestações solidárias em Londres, Paris e São Francisco.

Nada parece, porém, sensibilizar o governo de Pequim – mais oito tibetanos foram mortos pela polícia chinesa. A chamada Polícia Armada do Povo promoveu, na semana passada, invasões aos monastérios de Kirti e Ngaba Gomang, em Sichuan. Dois monges se suicidaram em protesto.

Cerca de 350 monges budistas foram detidos e estão sendo submetidos ao programa denominado “Reeducação Patriótica”, verdadeira promoção de “lavagem cerebral”. Isto para os “reeducandos” saírem a denunciar o dalai-lama como agitador separatista e passarem a se proclamar leais à China.

Até o Comitê Olímpico Internacional (COI) percebeu ter saído queimado pela escolha de Pequim. Naquela ocasião, contou mais o capital do que o respeito aos direitos das gentes.

Bush ameaça mudar de barco, como se infere do briefing de Dana Perino, porta-voz da Casa Branca. Depois da invasão do Iraque, do sinal verde para a CIA torturar suspeitos de terrorismo com simulações de afogamentos e dos episódios em Abu Ghraib e Guantánamo, Bush vê uma oportunidade para não sair tão sujo da Presidência.

A propósito, o presidente dos EUA poderá pegar carona na tese do boicote à cerimônia de abertura dos Jogos, em 8 de agosto, proposta pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Este interessado, também, em melhorar a sua imagem depois de ter, como ministro do Interior, reprimido barbaramente, nas periferias, desorganizadas manifestações de cidadãos excluídos socialmente, todos filhos de imigrantes.

Por outro lado, na Itália, com eleições antecipadas para 13 e 14 de abril, em razão da queda do premier Romano Prodi, as últimas pesquisas mostram que Silvio Berlusconi, um Paulo Maluf à italiana, fará maioria no Parlamento e sairá, pela terceira vez, primeiro-ministro.

Sobre o favoritismo do empresário italiano, convém registrar a opinião do grande cineasta Mario Monicelli, do alto dos seus 93 anos de idade: “Berlusconi deveria ser o primeiro dos inimigos de milhões de italianos. Mas, como os italianos são estúpidos, o adoram. Qualquer um que promete bem-estar aos italianos receberá os seus votos”.

Uma das promessas de campanha de Berlusconi é a de anunciar, depois da sua eleição, os nomes dos integrantes de um grupo de empresários dispostos a comprar a quebrada Alitalia: o governo tem 50% das ações.

Como Berlusconi espalhou pelo mundo a ruína da Alitalia e se opôs ferozmente à sua incorporação pelo consórcio Air France-KLM, a cotação das ações da empresa em Bolsa caiu assustadoramente. Com ações desvalorizadas, os compradores italianos farão a festa. O chefe do grupo de empresários é o filho de Berlusconi. Ele assumiu a gestão das empresas paternas enquanto o genitor se mantiver na política.

Em São Paulo, na decadente sede do Jockey Club, ocorreu a venda de bens apreendidos na mansão familiar do narcotraficante Juan Carlos Abadia, como grifadas calças, cuecas, bolsas etc.

O desfalque patrimonial é o remédio mais eficaz na luta contra a criminalidade organizada. E a rápida venda de bens é necessária, até para evitar a perda do valor de mercado. O único fato a lamentar foi a violação da par condictio.

O povão convocado ficou na fila, como cachorro a olhar a carne rodar em espetos de vitrine de padaria. Houve prioridade para os sócios do Jockey e para aqueles que, por status, merecem desfilar com os bens. Ironia à parte, os endinheirados compraram bens adquiridos com o dinheiro sujo do narcotráfico. Os pobres não puderam comprar nada e só ficaram com o consolo da Casas Bahia.

Por falar em drogas proibidas, o consumo abusivo delas foi sempre associado aos jovens. Todos pensavam ser eles, para finalidade lúdico-recreativa, os mais propensos a consumir maconha, cocaína, heroína, anfetaminas etc.

No Brasil, ainda vale a associação, mas por ausência de pesquisas confiáveis. Ao contrário, na Europa, desde 4 de abril, já se pode concluir não haver limite de idade para o consumo abusivo de drogas proibidas, conforme levantamento realizado pelo Observatório Europeu das Drogas e das Toxicodependências.

Para o Observatório, que é órgão oficial da União Européia e está sediado em Lisboa, o número de pessoas com mais de 65 anos portadoras de problemas de consumo abusivo aumentará, na Europa, mais que o dobro, levando em conta o período entre 2001 e 2020.

Nos EUA, e pelos dados disponíveis para análises, cotejos e projeções, o número de usuários com mais de 50 anos que precisará de assistência médico-sanitária aumentará 300%, até o ano de 2020.

Portanto, e em termos de saúde pública, são preocupantes as previsões a respeito dos “velhinhos chegados num barato”.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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