São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Drogas. Idade. Relatório do Observatório Europeu surpreende.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 11 de abril de 2008.

O consumo abusivo de drogas proibidas foi sempre associado aos jovens. Todos pensavam serem eles, para finalidade lúdico-recreativa, os mais propensos a consumir maconha, cocaína, heroína, anfetaminas, etc.



No Brasil, pode continuar a valer a associação, mas por ausência de pesquisas confiáveis.

Na Europa, ao contrário e partir de agora, já se pode concluir não haver limite de idade para o consumo abusivo de drogas proibidas, conforme levantamento realizado pelo Observatório Europeu das Drogas e das Toxicodependências.

Para o Observatório, que é órgão oficial da União Européia e está sediado em Lisboa, o número de pessoas com mais de 65 anos e portadoras de problemas decorrentes de consumo abusivo aumentará, na Europa, mais do que o dobro, levado em conta o período entre 2001 e 2020.

Nos EUA e pelos dados disponíveis para análises, cotejos e projeções, o número de usuários com mais de 50 anos que precisará de assistência médico-sanitária crescerá 300% até o ano de 2020.

Portanto e em termos de saúde pública, são preocupantes as previsões a respeitos dos “velhinhos chegados num barato”. Só para exemplificar, imagine-se a situação na Europa que registra um envelhecimento progressivo da sua população. No ano de 2028, e o dado é do supracitado Observatório europeu, mais de ¼ da população terá alcançado os 65 anos de idade.

Os dados informativos utilizados na pesquisa do Observatório Europeu mostram, no campo do abuso, que os anciãos iniciaram o consumo precocemente, ou seja, começaram a utilizar drogas ilegais quando jovens.

Aqueles que chegaram às drogas com idade avançada foram motivados por situações emocionais causadoras de estresse: aposentadorias, separações de convivente ou da(o) esposa(o), falecimento de alguém da família, decepções pessoais e isolamento social. Mostrou-se significativo, entre pessoas envelhecidas e portadoras de handcap mental, a procura e o abuso no consumo de maconha.

Para o Observatório Europeu, o crescente número de anciãos com problemas ligados ao abuso de substâncias proibidas causará novos desafios para as autoridades responsáveis pelos serviços de tratamento das dependências. Isto porque os serviços disponíveis voltam-se principalmente aos jovens e, portanto, precisarão ser adaptados ao atendimento dos anciãos.

O relatório apresentado pelo Observatório Europeu recomenda um realinhamento dos centros de atendimento, tudo, evidentemente, pelo novo quadro.

Os consumidores regulares de drogas com finalidade recreativa estão a envelhecer e podem encontrar maiores complicações de saúde com a idade: os mais velhos metabolizam as drogas mais lentamente e o cérebro, pelo passar dos anos, pode se tornar mais sensível aos efeitos das drogas ingeridas.

Advertem os especialistas na área médica do Observatório Europeu que uma grande quantidade de estimulantes, disponíveis no mercado ilegal, provocam mudanças nas funções dos receptores cerebrais a causar preocupações sobre os seus efeitos a longo prazo. E tais problemas podem interagir com outros processos, tudo de modo a acelerar o deterioramento neurocognitivo ligado ao envelhecimento.

No momento, graves problemas são detectados com os nascidos entre 1946 e 1964, ou seja, faixa que inclui gerações marcadas pelo auto consumo de drogas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet