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Direitos Humanos. Primeiro ministro britânico muda posição e não comparecerá aos jogos de Pequim.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 10 de abril de 2008.

Hoje foi a vez do primeiro-ministro britânico dar meia-volta. O porta-voz avisou que Gordon Brown não comparecerá à cerimônia de abertura dos jogos olímpicos de Pequim, marcada para 8 de agosto.

Depois do contagiante protesto contra as permanentes violações a direitos das gentes na China e os massacres pela polícia chinesa de tibetanos em Lhasa, --pelas ruas de Londres e no último domingo--, o premier britânico resolveu refletir, mudar de posição e ficar do lado dos seus cidadãos.

Como estava presente à cerimônia de passagem da tocha olímpica, Brown sentiu na pele aquilo que muitos chamam de “ira santa”, ou seja, uma indignação profunda e justa.

Deve ter influído, também, as manifestações de Paris, na segunda-feira 7, e a de ontem, em São Francisco. Entre os protestantes pró-Tibete estavam os atores norte-americanos Richard Gere e Darryl Hannah e o bispo Desmond Tutu, nobel da paz em 1984.

O aviso sobre o não comparecimento a Pequim foi dado pelo porta-voz, que procurou, com contorcionismos mentais, explicar que o premier não estava a reconsiderar decisão anteriormente. O porta-voz disse que “não se tratava de mudança de rota, pois o primeiro-ministro jamais disse que boicotaria as Olimpíadas”.

Efetivamente, nunca disse que boicotaria. Só que não comparecerá aos jogos, ou seja, acaba por aderir ao boicote sugerido pelo presidente francês Sarkozy.

PANO RÁPIDO. Como se percebe, o comportamento politicamente correta foi da chanceler alemã Angela Merkel.

Bem antes das manifestações em Londres e Paris, mas logo depois dos massacres em Lhasa, ela declarou que não comparecia aos jogos, pois se tratava de evento esportivo e não político.

Uma saída de mestre, pois os jogos sempre foram carregados de componentes políticos. Até os atletas olímpicos negros manifestaram, durante a competição, adesão ao movimento que ficou conhecido como “Black Power” (expressão tirada do título livro de Richard Wright, publicado em 1954).

Ao receberem as suas medalhas de campeões, os atletas negros campeões erguiam, do pódio, o braço direito e cerravam o punho, numa adesão ao movimento de resposta às opressões e discriminações.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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