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Direitos Humanos. A Tocha Olímpica virou pró- Tibete. Reações em Londres e Paris serão repetidas em São Francisco.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 7 de abril de 2008.

Paris: protestos durante a passagem da tocha olímpica. Percurso suspenso.


A passagem da tocha olímpica dos Jogos de Pequim por solo europeu representou ocasião para manifestações pró-Tibete (prefiro a grafia Tibet) e protestos contra as permanentes violações de direitos humanos na China.

No domingo, em Londres, foram presos 36 ativistas e apreendidas centenas de faixas com escritos como “Tibete Livre” ou “Dalai Lama estamos com o seu povo”.

Os dois mil policiais escalados para cobrir os 50 km de percurso da tocha não deram conta e inúmeros confrontos ocorreram até a etapa de Downing Street, onde estava o primeiro-ministro Gordon Brown.

A situação foi constrangedora para o premier Gordon Brown que já anunciou sua presença para a cerimônia de abertura dos jogos, em 8 de agosto próximo. Pelo que se percebe, o premier precisrá estar em Pequim porque os jogos olímpicos de 2012 serão realizados em Londres.

A surpresa londrina ocorreu em Chinatown, onde havia maior concentração de policiais. Uma senhora baixa, de cabelos embranquecidos pelo avançar da idade, correu com a tocha olímpica. Era a embaixadora chinesa, que fez segredo até receber a tocha.Lógico, foi blindada pela polícia.

Sem convencer, a ministra britânica para os jogos olímpicos respondeu perguntas de jornalistas de várias partes do planeta. Ficou embaraçada quando perguntada sobre o risco de apoiar os jogos e trair o compromisso com os direitos humanos. Para ela, receber a tocha olímpica não significa apoiar o governo chinês.

Hoje, em Paris, foram presas quatro manifestantes, sendo dois deles do organização Repórteres Sem Fronteiras. Várias bandeiras foram exibidas com os cinco anéis olímpicos transformados em algemas.

Muitas faixas foram exibidas em protesto ao massacre de mais de 150 tibetanos em Lhasa, a capital do Tibet, em território apropriado pela China em 1950 e ao tempo do início do maoismo.

Por motivo de segurança, o prefeito de Paris, Bernard Delanoe, interrompeu a cerimônia de corrida de 28 km com a tocha olímpica, que passoua a ser transportada em ônibus até a sede do Comitê Olímpico Francês, próximo ao estádio de Charlety.

O destaque ficou com a verde Mireille Ferri, que foi detida ao se aproximar, com um extintor de incêndio , da Torre Eifel, ponto de partida da tocha. Os 80 corredores escalados seriam acompanhados por 65 policiais em motocicletas e 100 em patins.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, revelou preocupação pelos protestos e solicitou as autoridades chinesas uma “rápida e pacífica” solução para o problema do Tibete.

Em São Francisco, a tocha olímpica estará pelas ruas na quarta-feira e em Buenos Aires na sexta-feira. Manifestações anti-China estão sendo aguardadas, pois na Califórnia vive a terceira maior comunidade chinesa.

Até o momento, nenhuma manifestação está organizada para Buenos Aires, onde a tocha estará nas ruas da cidade na próxima sexta-feira.

Pano Rápido. Enquanto os protestos ocorrem, a polícia chinesa, como noticiaram no final de semana os jornais europeus, continua a praticar atos violentos contra tibetanos e invadir locais de retiros de monges. Basta o encontro de uma fotografia do dalai Lama, nos alojamentos dos monges, para gerar prisões.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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