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Eleições à Italiana. Candidata ex-pornostar quer fazar de Roma uma love-city.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 3 de abril de 2008.

Milly D´Abbraccio (Milly do Abraço).


Depois que o premier italiano Romano Prodi foi traído e não obteve uma moção de confiança do Senado, foram marcadas eleições gerais para os dias 13 e 14 de abril próximos.

Como a Itália é um estado-unitário e não federado como o Brasil, vários cargos entram em disputa. O premier continua a governar na condição de demissionário - logicamente, até o novo Parlamento eleger o seu substituto.

No momento, a briga pelo cargo de premier está restrita aos dois maiores partidos e os candidatos são Walter Veltrone, de centro-esquerda, e o fanfarrão Sílvio Berlusconi, pela centro-direita. Tem, também, o apoio da Aliança Nacional, que reúne os neofascistas.

Em disputa acirrada estão, também, cargos regionais da máxima importância. Por exemplo, o governador da Sicília, Salvatore Cuffaro, foi condenado por favorecer e privilegiar a Máfia. Acabou defenestrado, com eleição antecipada, também marcada para 13 e 14 de abril.

A propósito, Cuffaro tentou dar o "golpe do João-sem-braço", apesar dos cinco anos de condenação. Disse que só tinha sido condenado por favorecer a Máfia, ou seja, não era mafioso. Assim, mandou comprar "cannoli" (típico doce siciliano) e chamou os amigos para comemorar. Resumo: promoveu um escândalo nacional, chamado de "Escândalo dos Cannoli".

Uma representação impetrada ontem por um partido nanico, por causa da semelhança entre seu símbolo com o que está sendo usado, poderá levar ao adiamento das eleições.



Enquanto isso, o candidato a premier dos conservadores, Sílvio Berlusconi - que é o homem mais rico da Itália e uma espécie de Paulo Maluf da vida política peninsular -, continua a misturar política com os seus próprios negócios, num evidente conflito de interesses.

Para se ter uma idéia, Berlusconi foi contra a venda da quebrada Alitália para a Air France. Falou que a Alitália era dos italianos e convocou, sem nominar, um grupo de empresários italianos para comprar a quebrada companhia aérea.

Não bastasse, disse que anunciaria o nome dos empresários só depois das eleições. Mais tarde, soube-se que o maior deles é o filho do próprio Berlusconi - testa-de-ferro do pai enquanto estiver na política.

E a cada manifestação de Berlusconi contra a compra pela Air France, as ações da Alitália despencavam na bolsa de valores, para alegria do filho-laranja.

Hoje, a Air France desistiu de comprar a Alitália, ou seja, consumou-se a tragédia berlusconiana desejada.

Mas uma única candidatura, ao cargo de conselheira da comuna de Roma (uma vereadora, no sistema brasileiro), continua a resistir as tempestades eleitorais. Segue firme e forte.

Trata-se da candidatura de Milly D´Abbraccio, ex-pornostar. Ela está na lista de candidatos socialistas. Para o eleitorado, ela anuncia o "sonho de ter em Roma uma love city".

Milly D´Abbraccio é o seu nome artístico. No registro civil é Emilia Cucciniello, uma rainha do nudismo dos anos 80 e 90 que continua em plena forma, embora não se exiba mais, apesar das evoluções no mundo da estética.

Sobre a "love city", ela explica. Será num bairro de Roma. Um lugar para o amor na Capital. Um quarteirão com casas à luz vermelha (bordéis), sex-shops, estabelecimentos para strip e lap-dance e, lógico, cinema hard. Em síntese, uma cópia de Amsterdã.

Perguntada como seria a reação do Vaticano, ela emendou de bate-pronto. Falou da separação Igreja e Estado e destacou que, no mundo laico, uma city-love é sinal de liberdade, em especial na esfera sexual. Dada a insistência do repórter, deixou as reservas de lado: "falo com o Papa".
-Wálter Fanganiello Maierovitch.


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