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Direitos Humanos. O Último Esforço da Guerreira.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 3 de abril de 2008.

Para muitos, Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos pelas Farc e quando em campanha eleitoral para a presidência da Colômbia, na sucessão de Andrés Pastrana, está depressiva, recusa alimentos e medicamentos, e esse quadro poderá levá-la à morte.

Os que conhecem pessoalmente Ingrid, -- sabem da sua força interior e nobreza dos seus propósitos de vida--, sustentam ter ela adotado uma lúcida e corajosa, greve de fome.

Uma radiografia da situação mostra que as Farc vivem uma crise sem precentes.

No mês de março passado, as Farc perderam dois dos seus sete secretários de cúpula.

Raúl Reyes, segundo na hierarquia, foi morto em território equatoriano, depois de ataque das forças de ordem colombianas, a gerar protestos internacionais, como fastamente noticiado.

Logo depois e ainda em março ocorreu o assassinato de Ivan Rios, o delfim de Manuel Marulanda, comandante-geral das Farc. Ivan Rios era considerado, pela proximidade com Marulanda, o verdadeiro ideólogo das Farc, até pelo seu preparo intelectual e os contatos com intelectuais europeus, dentre eles com o filósofo Bernard Henry-Lévy.

Rios foi assassinado por um seu comandado, com aprovação dos demais. Isso mostra o clima interno nas Farc. Com a morte de Reyes, as Farc suspenderam os contatos e as operações de trocas, conduzidas por Hugo Chavez, presidente venezuelano.

Dois comunicados do presidente Sarkozy voltados à libertação de Ingrid Betancourt, --que tem nacionalidades colombiana e francesa--, não foram respondidos pelas Farc.

Na terça feira (1 de abril de 2008), Ivan Márquez, membro do secretariado das Farc, enviou um comunicado a afirmar que a morte de Raúl Reyes “feriu gravemente o processo de paz e a troca de prisioneiros”

Nessa quadra, com notícia de Ingrid ter passado por atendimento médico em vilarejo na floresta amazônica e se recusado a receber cuidados de um médico e assistência de um sacerdote, Sarkozy convenceu Uribe a suspender as manobras repressivas do exército. Na seqüência, Sarkozy iniciou, com participação de enviados de diversos países, uma “missão humanitária”.

Só que ninguém sabe, a essa altura, se o comandante-geral das Farc, Manuel Marulanda, ---que tem câncer---, está vivo.

Diante dessa situação, é que Ingrid Betancourt, frise-se mais uma vez, com muita lucidez e coragem, teria iniciado uma greve de fome. Uma greve oportuna, mas que, evidentemente, poderá levá-la à morte.

A respeito, dá para imaginar o que significa uma greve de fome, depois de 6 anos de privação de liberdade na selva, de portar hepatite B, suportar depressão, hostilidades e maus-tratos permanentes.

O filósofo e documentarista francês Bernard Henry-Lévy, supracitado, teve um recente encontro com o mencionado Ivan Rios. Em artigo publicado em jornais europeus, Henry-Lévy sentiu mudanças nas posturas anteriores de Rios, um “ homem nutrido com o leite do castrismo, leitor refinado de Allthusser e Charles Bettelheim” . E mudanças drásticas e dramáticas. Posturas desumanas, com a paranóia decorrente da solidão, do isolamento na selva, do estar fora do mundo.

Para as Farc, segundo revelado por Ivan Rios, o envolvimento com o narcotráfico é uma forma de resistência. E, também, um meio de defesa em favor dos camponeses pobres, que são explorados pelo regime capitalista.

Quanto à justificativa para manter vítimas cativas, para as Farc a privação de liberdade das vítimas de seqüestro é de “profunda justiça” e faz parte de uma estratégia de seqüestros com vítimas escolhidas a dedo.

PANO RÁPIDO. Vamos torcer pelo sucesso da operação humanitária idealizada pelo governo Sarkozy e já iniciada. O recado dado por Sarkozy foi apropriado, ou seja, -“ A morte de Ingrid seria um erro político das Farc e uma tragédia humanitária”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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