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Praça lotada. Em S.Pedro celebrou-se a missa-solene pelo terceiro aniversário de morte de Wojtyla.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 2 de abril de 2008.



Como previsto, foi difícil conseguir um lugar na berniniana praça de São Pedro hoje de manhã.

A praça estava lotada. Não dava para o fiel abrir os cotovelos, isto para relaxar depois de um tempo com as mãos colocadas e juntas ao peito, em oração.

Hoje cedo, na praça, celebrou-se a missa-solene pelo terceiro aniversário da morte de João Paulo II, nascido na Polônia e antecessor do atual Bento XVI.

Carol Wojtyla disputa a glória dos altares. Aliás, num processo de beatificação que, em velocidade, promete bater o recorde vaticano.

A propósito, nem o papa Pio IX, no mundo secular registrado no cartório da cidade de Senigallia como Giovanni Maria Mastai Ferretti, conseguiu um processo de rito tão sumário, para usar uma expressão tomada de empréstimo do nosso código de processo civil.

Vale lembrar que o beato Ferretti, até agora, teve o maior tempo de pontificado, ou seja, mais de 31 anos: 16/6/1846 a 7 de fevereiro de 1878.

. No momento, Ferretti é objeto de um moroso processo de santificação. Segundo vaticanistas, o processo de Ferretti sofre atraso em razão de um problema pra lá de secular, isto é, de conveniência e oportunidade.

Em palavras leigas, um outro candidato a santo está a atrapalhar. Melhor explicando, o processo do antigo papa Pio XII vem sofrendo pressões terrenas, já que o seu silêncio, no curso da Segunda Guerra, recebe interpretações diferentes. Emplacar um santo (Ferretti) que tenha sido papa sempre reacende discussões sobre Pio XII e isso desgasta a Santa Sé, juram os vaticanistas.

Na missa de hoje pela alma de Wojtyla, o seu sucessor Ratzinger frisou que “ele teve dons sobrenaturais”.

Trata-se, como deixou claro Ratzinger, de um santo-homem. A essa altura, as cinzas de Giordano Bruno, queimado vivo em 1600 pela Inquisição e por não acreditar, dentre outras coisas, em homens-santos, devem ter mudado de lugar.

Numa das passagens, Ratzinger, que era o preferido de João Paulo II no caso da sua sucessão post-mortem, afirmou que Wojtyla “entre tantas qualidades humanas e sobrenaturais, tinha aquela de uma excepcional sensibilidade espiritual e humanística”.

Ratzinger teceu considerações elogiosas sobre o pontificado do antecessor e emocionou os fiéis ao lembrar da sua fé inquebrantável: “- Sentia-se completamente na presença de Deus e parecia que todo o resto, naquele momento, fosse estranho”. Além dos fiéis “ensardinhados” na ampla praça de São Pedro, muitos cardeais, bispos e clérigos marcaram presença, como se percebia pela coloração das suas vestes talares (até o talo, calcanhar).

O papa encerrou a alocução sobre Wojtyla a recordar o dia da sua morte: “- A sua morte foi o silêncio de uma existência doada a Cristo, por ele confirmada também fisicamente no trato com o seu sofrimento e no abandono confiante nos braços do pai-celeste. Deixem-me que vá ao Pai, foram as suas últimas palavras”

Evidentemente, Wojtyla não foi unanimidade e, no campo do rigor doutrinário, tem um sucessor mais fundamentalista e sempre pronto a causar trapalhadas embaraços internacionais.

Caberá à história confirmar ter Wojtyla, na sua luta contra o comunismo, confundido, como muito dos seus antecessores, o papel da Igreja e sua separação das questões políticas, terrenas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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