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Máfia e PCC: infiltração na política.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 1 de abril de 2008.
coincidências.

No domingo, em Milão, participei da oitava reunião de um grupo de trabalho sobre o “Método Mafioso”.



Sai da reunião e tomei, ao lado da estação ferroviária de Milão, um ônibus até o aeroporto de Malpensa. Como tinha de esperar pelo vôo um bom tempinho, parti para um panino, um café e a leitura da revista L´Espresso, edição de 27 de março, número 12, ano 2008.

Por coincidência, a revista L´espresso comprada naquele domingo 30 de março saíra com matéria de capa sobre um “dossier” a tratar de um dos métodos mafiosos. O título, afirmativo e não interrogativo, era o seguinte: Para quem a vota a Máfia. (“Per Chi Vota La Máfia”)

De se acrescentar que em toda a Itália e para todos os cargos, nacionais e regionais ( a Itália é um estado-unitário e não federado) as eleições ocorrerão nos dias 13 e 14 de abril próximos. A propósito, as eleições foram antecipadas depois da queda do premier Romano Prodi, de centro-esquerda: o premier não obteve voto de confiança do Senado (foi traído pela direita do seu governo, ou seja, pelo grupo liderado pelo ex-ministro da Justiça Clemente Mastella, que voltou ao senado para “cuspir no prato” que comeu.) e virou demissionário, até as eleições de 13 e 14 de abril.

Pois bem e a continuar com o tema coincidência. Desembarguei no aeroporto de Guarulhos e, no caderno Metrópole do jornal O Estado de S.Paulo, encontrei a informação de o “PCC querer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais”: PCC= Primeiro Comando da Capital.

Nenhuma novidade, mas pura coincidência, a juntar reunião, matéria da revista L´espresso e jornal O Estado de S.Paulo.

Sem novidade, uma vez que as máfias transnacionais e as pré-mafias brasileiras são organizações parasitárias.

Mafia: Giulio Andreotti, na capa.


Para tirar vantagens, o crime organizado busca eleger representantes entre os órgãos do Estado e infiltrar agentes nas repartições públicas. Em síntese, um clássico mais do que secular.

No Brasil, os bicheiros do Rio de Janeiro cansaram de bancar campanhas de políticos e nada é de graça para o crime organizado.

Na última eleição municipal em São Paulo, a jogatina eletrônica organizada tinha candidata à vereança.

Ainda, o PCC, conforme informa o jornalista Marcelo Godoy do Estadão, lotou de passageiros dez ônibus, em 10 estados, para fazer lobby em Brasília a fim de legalizar os jogos de azar.

Mais, têm os episódios do ministro Vicente Leal, do premier Giulio Andreotti e do governador Salvatore Cuffaro.

O ministro Vicente Leal, -- sem corar--, saiu rapidinho do nosso Superior Tribunal de Justiça, diante da acusação de vender liminar a narcotraficantes. E Leal se aposentou para não escutar a conclusão sobre o apurado por uma comissão de ministros.

Andreotti foi sete vezes primeiro ministro da Itália. Pela Corte de Cassação italiana, acabou definitivamente condenado por se associar à Máfia, num certo período e quando primeiro-ministro. Como tem mais de 80 anos, beneficiou-se da prescrição da pena. Em resumo, não foi para a cadeia, continua senador vitalício e é ainda ligadíssimo ao Vaticano.

Salvatore Cuffaro, apelidado Totó Cuffaro, governou a Sicília e conseguiu a reeleição. Em dezembro passado, foi condenado por favorecer e privilegiar a Máfia.

Em todo o mundo, - e isso não é coincidência-, muitos políticos se aproximam do crime organizado especial, que é aquele que tem controle de território e controle social. Portanto, as máfias ou pré-mafias impõem os seus candidatos.

O Brasil ainda não percebeu isso e nem conta com legislação pertinente para enfrentar o fenômeno. Agora, espera-se que a Ordem dos Advogados do Brasil, no devido procedimento, afaste dos seus quadros Sérgio Wesley da Cunha.

Segundo as gravações mencionadas na matéria supracitada do jornal O Estado de S.Paulo, o advogado Sérgio Wesley da Cunhaele é o pombo-correio do PCC e o mentor de um plano para financiar campanhas políticas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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