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Escândalo da mozzarella di bufala. Segunda Parte.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 28 de março de 2008.

De ROMA.


Primeiro veio o escândalo da Vaca-Louca (Mucca-Pazza), causado por animais que, ao invés de grama e ração, eram alimentados com restos de pneumáticos, lixo tóxico, enfim tudo que deveria ser destruído em fornos com altas temperaturas ou colocados em aterros sanitários.

Alguém, e muitos na Europa seguiram a idéia, deve ter pensado que as vacas, ruminando, seriam lixeiras, sem prejuízo de produzirem leite e terem peças vendidas em açougues. Enfim, deu no que deu.

No final do ano passado, começou o problema do lixo de Napoli e em toda a região da Campania. Um problema de mais de 15 anos, com a Camorra metida na gestão e a ganhar milhões de euros em prejuízo, lógico, do ambiente e do cidadão.

Pelo que dizem os toxicólogos, o problema do lixo já reflete na contaminação do leite, pois os pastos ficam prejudicados, quando próximos a aterros ou sujeitos à poluição dos incineradores de lixo.

Com efeito, a ”muzzarella di bufala” da região Campania está reprovada pela Comissão Européia.

Para a Comissão, aquilo que a Itália disse estar a fazer não basta para resolver o problema com a dioxina (confira post abaixo), que contamina a mozzarella, acima do aceitável pela União Européia: pela tabela da UE aceita-se contaminação de até 6,0mg e a mozzarella campana está com 6,6 mg.

Em comunicado, a Comissão Européia advertiu: “ O programa italiano de vigilância dos centros de produção (laticínios) na região da Campania é ainda muito precário, limitado”

Dos 83 laticínios fechados ontem, já foram reabertos 11 deles. Disseram as autoridades sanitárias que, no caso das interdições, o problema era com o leite e não com contaminação provocada pela elaboração da mozzarella. O que as autoridades não esperavam era a reação da UE, a reprovar a mozzarella procedente da Itália.

Outro agravamento de situação. A Coréia do Norte, grande importadora, seguiu o Japão e, também, suspendeu a compra de mozzarella di bufala italiana.

Nas regiões do Lazio e de Molise, -- onde não há contaminação pelo lixo--, a preocupação é grande. Essas duas regiões, como a da Campania, também exportam para os EUA e a Rússia. Mas, o problema maior continua sendo o campano, que produz 90% da mozzarella di bufala produzida na Itália.

No Lazio (cuja capital é Roma), fala-se em se criar um selo identificador de procedência: made in Lazio. Isto para não haver confusão com a feita na Campania.

Fora os políticos italianos regionais que aparecem nos canais de televisão e nos jornais a comer mozzarella di bufala em praça pública, o cidadão comum não se arrisca e as vendas internas caíram.

Por cautela, o cidadão deixou de comprar nos supermercados a ricotta di búfala, burro ( mantega) de búfala, a cacciotta di búfala (queijo endurecido) e o latte (leite) de búfala.

PANO RÁPIDO. Os brasileiros que compram em importadores, devem ficar de olho na especificação e, evidentemente, conhecer o nome dos 22 municípios da Campania de produção de mozzarela. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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