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D.Humanos: Acesa a chama olímpica. Lembrança do massacre de Tiananmen. Ventos autoritários e de resistência.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 24 de março de 2008.

Pça de Tiananmen, em Pequim.


De Roma.

A chama olímpica, segundo a tradição, é acesa simultaneamente na Grécia e no país sede dos jogos. Neste 2008, será Pequim a sede dos Jogos Olímpicos, com início marcado para 8 de agosto de 2008.

Na semana que se iniciou no domingo, no entanto, a previsão é de que ventos fortes podem apagar o brilho do fogo dos jogos.

Os ventos da revolta no Tibet chegaram à chinesa Xianjiang . Lá vive uma minoria islâmica que se sente oprimida e membros da etnia turcomana chamada uigura estão dispostos a pegar carona no movimento iniciado pelos tibetanos.

O campeão francês de salto com vara, que participará dos jogos, anunciou a coordenação de um movimento para que todos os atletas em Pequim usem uma tarja verde no braço, durante todo o tempo de competição, a fim de que, conforme frisou, “ todos nós atletas possamos testemunhar a nossa esperança de paz”.

No domingo, o Jornal do Povo, veículo oficial do partido comunista chinês, trouxe editorial feroz, com pesados ataques ao dalai-lama (grafia correta, conforme gentil e.mail recebido), à deputada democrata norte-americana Nancy Pelosi (presidente da Câmara e que apóia a criação de um grupo de investigação da ONU em face do ocorrido em Lhansa, no Tibet), e aos que querem as independências de Taiwan, Xinjiang e Tibet.

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dalai-lama.


O editorial fala na necessidade de se colocar fim rapidamente aos protestos e, numa passagem, ficou grafado o seguinte: “Devemos compreender as intenções das forças do mal secessionistas, mantermos elevada a bandeira da estabilidade social e reprimirmoas a conspiração das forças que buscam a independência do Tibet”.

PANO RÁPIDO. Como se percebe, o editorial se presta para intranqüilizar e reforçar o clima de animosidade.

Por evidente, serve, também, para relembrar o massacre a estudantes chineses, que num primeiro protesto pacífico, em 15 de abril de 1989 e depois de caminhada pelas ruas de Pequim, reuniram-se na praça da Paz Celestial.

O alvo desses protestos era o partido comunista cines , que, conforme entendiam os manifestantes, frustrava os trabalhadores, tirava a liberdade dos estudantes, não controlava a inflação e era integrado por políticos corruptos.

O pacífico movimento estudantil, com cerca de 100 mil participantes contou com a adesão de intelectuais e trabalhadores.

No segundo protesto estudantil de 4 de junho de 1989, o Exército Popular de Libertação, passou com tanques por cima dos estudantes, defronte à praça de Tiananmen de Pequim.

O covarde e sangrento massacre ficou conhecido como Protesto de Tienanmen, uma página que chamais será apagada da história da China.

Na quadra atual, com o comprovado genocídio no Tibet, o presidente do Parlamento Europeu, hoje, voltou a agitar a bandeira do boicote aos jogos olímpicos.

Por aqui, neste blog, volto a lembrar da faixa esticada, na sexta feira passada e no Campo di Fiore, abaixo da estátua de Giordano Bruno, o domenicano filósofo queimado vivo na praça referida, em 17 de fevereiro de 1600, por decisão do Tribunal da Inquisição: “-Somos todos tibetanos”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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