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DROGA: ONU pede ao Brasil controle nas fronteiras andinas, depois do encontro de plantio de arbustos de coca.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 23de março de 2008. De Roma: 13hs--Brasil, 9hs.

O encontro de 4 hectares de arbustos de coca andina no Brasil (cerca de 7 mil pés de coca), próximo à fronteira com o Peru e às margens do rio Javari, chamou a atenção da comunidade internacional e provocou um pedido das Nações Unidadas. Um pedido voltado a maior controle pelo Brasil nas regiões em que faz fronteira com o Peru, a Colômbia e a Bolívia.

A solicitação mostra a preocupação das Nações Unidas, pois se teme que as áreas de cultivos da folha de coca—matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína--, migrem para o território brasileiro.

Plantio de coca, na amazônia colombiana.


Tem mais. A Colômbia já informou que reiniciará,como ocorreu no “Plan Colômbia”, o derrame aéreo de herbicidas nos plantios de coca. Em outras palavras: migração à vista.

Especialistas europeus para o fenômeno das drogas proibidas, hoje, publicaram hoje artigos a falar não só dos plantios às margens do rio Javari, mas do uso de cocaína por índios de tribos amazônicas, que também abusariam do consumo de bebidas alcoólicas.

Os supracitados especialistas se reportaram às declarações de Manuel Nery, cacique da tribo Ticuna: “- O uso de cocaína e de álcool levou 40 jovens índios ao suicídio”.

Os Ticuna vivem próximos ao rio Solimões e estima-se uma comunidade com menos de 4 mil índios.

Pela região que é dada como vulnerável, passaria uma rede operada por traficantes. E a cocaína (pasta-básica e cloridrato) entraria no Brasil por locais próximos Tabatinga (Brasil)-Letícia (Colômbia) e, também, onde se localizada a tríplice fronteira: Brasil, Peru e Colômbia.

Com efeito. Na quinta-feira passada, no boletim Justiça e Cidadania da rádio CBN (vai ao ar às terças e quintas, às 11,03hs), eu e o jornalista Milton Jung conversamos sobre o encontro, pelo Exército e a polícia do estado do Amazonas, dos plantios de coca. Sobre o sucedido, a notícia havia sido dada pela Radiobrás.

Durante o bate-papo com o jornalista Milton Jung lembrei do encontro, ocorrido na quarta-feira anterior, com amigos, que são magistrados da antimáfia italiana.

Na ocasião, recordei com os colegas magistrados ter a Máfia plantado, com sucesso e nos anos 80, arbustos de coca na ilha de Samoa(Pacífico). E também na Geórgia (próximo à fronteira com a Turquia) e no Congo (ex-Zaire africano).

A máfia, Cosa Nostra, tinha um projeto de descentralização dos plantios andinos. E de desbancar os cartéis colombianos. Como os plantios vingaram, caiu o mito de que a coca só se desenvolve na região andina.
Parêntese, naquela época ainda não se falava em coca com sementes transgênicas. Hoje, a respeito, existe um arbusto mais resistente, ou seja, transgênico e a partir da coca “tingomaria” (arbusto peruano). Fechado parêntese.

No fim dos anos 70, Pablo Escobar, com o seu potente Cartel de Medellín, resolveu investir em cultivods na Colômbia, com mudas peruanas, “tingomaria”.

Resultado: o Peru perdeu a hegemonia de oferta de coca para a Colômbia.

Na fronteira da Argentina com a Bolívia, como mostrou em filme a socióloga aymará Sílvia Rivera, mascar folha de coca já virou hábito, igual ao nosso de tomar cafezinho.

No curso da interlocução com o jornalista Milton Jung, lembro de ter-lhe formulado uma pergunta, ou seja, se no projeto geostratégico e geoeconomico das internacionais criminosas (máfias), a meta seria tornar o Brasil um narco-estado? Justifico a pergunta. É que a Colômbia, o Peru e a Bolívia, só têm a folha de coca. Não possuem, por ausência de indústria química, os insumos (percursores químicos) para elaborações do cloridrato de cocaína e da pasta-básica.

O Brasil tem a maior indústria química da América Latina. Só falta plantar coca. E isso é preocupante, à luz do indício representado por plantios de folha de coca no nosso território.

-Wálter Fanganiello Maierovitch--


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