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TIBET: agravamento da situação, pós ultimatum

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 17 de março de 2008.

ROMA, 19 hs. (15 hs em Brasília) Para as autoridades do governo chinês sediado em Pequim, o prazo dado aos tibetanos para terminar com as manifestações voltadas a lembrar os 58 anos da anexação chinesa do Tibet e, também, o 49º. Aniversário do exílio forçado do Dalai Lama, terminou ao meio-dia de hoje.

Como as manifestações continuam, agora no Tibet oriental (--mais de 500 tibetanos com bandeiras gritam “Tibet Livre, conforme revela o site Tibetan Centre for Human Rights and Democracy de Dharamsala-Índia--) e por outras partes do planeta, os tibetanos de Lhasa (--capital do Tibet anexada em 1950 por Mão The-tung ao território da República Popular da China---) temem invasões policiais em suas casas, onde a grande maioria mantém fotos do Dalai Lama nas paredes. Segundo observadores internacionais, isso seria o bastante para gerar prisões, pois, na ótica da polícia política chinesa, as fotos do Dalai funcionam como indícios de apoio ao separatismo.

Parêntese: separatismo na visão chinesa, pois o Tibet foi declarado república independente em 1911, depois de inúmeras tentativas de apossamento por britânicos e chineses. E os chineses anexaram o Tibet em 1950, como acima mencionado. Fechado o parêntese.

A China começou, desde sexta-feira passada, a contra-ofensiva para impedir a divulgação de imagens reveladoras do massacre de tibetanos. Para começar, bloqueou na China as imagens divulgadas pelo Youtube, a mostrar mortos e feridos do lado dos tibetanos.

A televisão chinesa e os jornais, hoje, mostram duas ações de tibetanos, a quebrar a vitrina de uma loja e a jogar objetos nos policiais chineses.

Apesar da evidências em contrário, as autoridades chinesas insistem, com relação ao conflito em Lhasa, no total de 13 mortos, com a ressalva que a grande maioria das vítimas são chineses, atacados pelos tibetanos.

Por outro lado, a secretária norte-americana Condoleezza Rice, antes do embarque para Moscou, solicitou as autoridades chinesas uma abertura de diálogo com o Dalai Lama. O governo russo, por seu turno, considerou o ocorrido em Lhasa como um conflito interno, resolvido por ação policial. A propósito, num governo que tem problemas com o separatismo tchetcheno e permanentemente viola direitos humanos, a resposta era esperada. Além disso, a Rússia (por temer a independência da Chechênia) é contrária à separação do Kosovo da Sérvia, uma antiga aliada dos então soviéticos.

Na viagem, Rice espera encontrar o seu homológo chinês, Yang Jiechi, para tratar do caso. Enquanto isso, a Anistia Internacional solicita uma apuração sobre o ocorrido pelas Nações Unidas.

PANO RÁPIDO. O dirigente maior da China, Hu Jintao, vive horas difíceis. No início da sua carreira política, ele foi o representante do governo chinês para o Tibet.

Em 1989, como representante do governo, Hu Jintao enfrentou uma revolta dos tibetanos. Ele, então, propôs e foi aceito pelo governo central, uma lei marcial para o Tibet, com execuções sumárias dos chamados “rebeldes” (termo usado pelos chineses). No ano de 1989, o Dalai Lama recebeu o Nobel da Paz.


--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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