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Uribe: o furor bélico do presidente colombiano.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 10 de março de 2008.

Alvaro Uribe Velez


No campo da geopolítica latino-americana, o mês de março começa mal. Faz lembrar o massacre de Cienaga, que Gabriel García Márquez, com rigor histórico, inseriu na sua obra Cem Anos de Solidão.

O mesmo García Márquez, como ativista político e ganhador do Nobel de literatura em 1982, testemunhou, quando jovem, a maior tragédia político-social vivida pela Colômbia.

Uma tragédia consumada em 1948 e referente ao assassinato de Jorge Eliécer Gaitán. Ela fez com que a Colômbia não aprumasse até hoje e alcançasse os títulos de o país de maior número de jornalistas assassinados e de fornecedora de 80% da cocaína encontrada no planeta.

García Marques acompanhou o episódio da morte de Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir) e com a eleição de 1950 garantida para a presidência da Colômbia. Gaitán foi eliminado a mando da norte-americana Central Intelligence Agency (CIA), em 9 de abril de 1948, conforme já concluiu o próprio García Marquez.

Nesta semana, as forças militares da Colômbia invadiram o território equatoriano para atacar acampados membros das Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (Farc), organização que nasceu com natureza insurgente em 20 de junho de 1964. A propósito, o serviço de inteligência militar colombiano tinha a informação de estar nesse acampamento o chamado comandante Raúl Reyes, interlocutor responsável pela negociações com o Equador, a Venezuela e a França, sobre libertações de políticos colombianos e estrangeiros seqüestrados.

Raúl Reyes era o segundo do vértice de governo das Farc e dado como sucessor de Manuel Marulanda Vélez, apelidado Tiro Fijo e próximo a completar 78 anos em maio.

À luz do direito internacional, do chamado direito das gentes, a Colômbia praticou atos condenáveis. E isto mostra que o presidente Uribe pouco se importa com as normas de convivência civilizada com co-irmãos.

Quando do Plan Colômbia, Uribe já pouco se importara com o fato de os ventos levarem os herbicidas, derramados por aviões da americana DynCorp nos plantios colombianos de coca, para o território do Equador, a causar graves problemas de saúde à população rural, além da contaminação dos rios, do envenenamento de rebanhos e da perda de plantios.

A Colômbia afrontou a soberania equatoriana. Pior, as forças armadas colombianas invadiram o território do Equador intencionalmente. Mais ainda, não justificava a invasão o fato de terem sido eliminados imputadoa terroristas que sobreviveriam de extorsões, abigeatos, seqüestros e cobranças sobre os latifúndios ou a cocaína produzida, taxações estas chamadas de vacuna ganadera.

Convém frisar não se caracterizar estado-de-necessidade, amparado no direito internacional, a invasão de fronteiras para a eliminação de inimigos nacionais. O lícito seria, por meio de cooperação bilateral, a expedição de mandado internacional de captura, com posterior pedido de extradição, diante de acordos firmados ou de convenções subscritas.

Mas, como esperar práticas civilizadas de um Álvaro Uribe Vélez, portador de curriculum vitae nada recomendável e conhecido fâmulo do presidente norte-americano George W.Bush, que imediatamente saiu em sua defesa.

Bush impôs à Colômbia, depois do fracassado do Plan Colômbia, iniciado com Bill Clynton, o atual Plan Patriota, que, como o anterior, disfarça a política interesseira e imperialista chamada “guerra de baixa intensidade”.

A relação custo-benefício sobre a invasão do Equador foi bem pensada por Uribe, que agora faz o jogo diversionista, fala em genocídio e em representar contra Chavez junto a Corte Penal Internacional. Seu chefe de polícia, general Oscar Naranjo, acusou Chavez de repassar às Farc cerca de US$300 milhões e, depois de chamado de mentiroso pelo ministro venezuelano do interior, foi acusado de alianças com o narcotráfico internacional.

Importante recordar que Uribe, no governo que o antecedeu de Andrés Pastrana, foi sempre contrário a acordos de paz com a guerrilha. Ele apoiou os paramilitares, como prefeito de Medellín, deputado e governador de Antioquia. Em Medellín quis implantar o projeto social da lavra de Pablo Escobar.

Uribe sempre teve ligações estreitas com os riquíssimos irmãos Ochoa, narcotraficantes sócios de Escobar no Cartel de Medellín, extraditados para os EUA e que, depois de barganha, voltaram à Colômbia, com os bens e fazendas preservados.

Na passagem pela direção do departamento de aviação civil, Uribe forneceu habilitações para pilotos de narcotraficantes. Seu pai Alberto, morto pelas Farc por ligações com os paramilitares, teve um helicóptero apreendido na chamada Tranquilândia, ou seja, no parque de refino de cocaína construído por Pablo Escobar.


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