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Boicote à Feira do Livro de Paris.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 5 de março de 2008.


A tradicional e sempre concorrida Feira do Livro de Paris terá início no dia 13 de março próximo (quinta-feira).

Como é da tradição, todos os anos a Feira do Livro de Paris homenageia um país. Neste ano de 2008 será Israel, com a presença do seu presidente, Shimon Peres, que estará na abertura ao lado de Nicolas Sarkozy.

Antes de começar a feira, no entanto, já começaram os boicotes.

O ministro da Cultura do Irã, em comunicado publicado em jornal, informou que os escritores e os editores iranianos não participaram da feira e nem darão autorização para a exposição das suas obras. Motivo: ter sido Israel escolhido como hóspede de honra.

Como se percebe, o ministro dá ordens sem consultar editores e escritores. Eventuais contratos internacionais, muito comuns nas traduções, não contam para o refiro ministro-ayatolá. Isso acontece nos estados teocráticos, como no Irã dos fundamentalistas xiitas.

Hoje, Arábia Saudita e Síria, diante da desproporcional reação de Israel (--atacada na região de fronteira com a Faixa de Gaza por foguetes katiucia e mísseis iranianos disparados por simpatizantes do Hamas--) que culminou com a invasão parcial da Faixa de Gaza, com 100 mortos e dentre eles cinco crianças, informaram o mesmo que o Irã. Ou seja, também boicotarão a Feira do Livro por não aceitarem Israel como país homenageado.

O ayatolá no cargo de ministro da Cultura apresentou uma pérola de justificativa: -“ Não participamos de jogos desportivos porque nossos atletas refutam disputar com os israelenses. Também os nossos escritores e editores se recusam a participar de manifestações culturais com um país-agressor na condição de hóspede de honra”. Já confirmaram presença na feira os três escritores israelenses mais lidos na França: Amos Oz, David Grossman e Abraham Yehoshua. PANO RÁPIDO. Nos estados laicos, desde criancinha, se apreende que as iniciativas voltadas ao incentivo do conhecimento de diferentes culturas enriquecem, favorecem o diálogo e criam o respeito pelas diferenças.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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