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FARC: morte do comandante Reys vai complicar libertação de Ingrid Betancourt.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 2 de março de 2008.

A morte do denominado comandante Reys , -- ideólogo e estrategista militar das FARC (Forças Armadas revolucionárias de Colômbia)--, vem em mau momento. Ou seja, quando toma força a pressão internacional, de natureza humanitária , pela libertação de Ingrid Betancourt. Aliás, uma pressão que cresceu depois de as FARC ter, em duas oportunidades, libertado reféns políticos, em cárcere privado há mais de 6 anos.



Evidentemente, a morte de Raúl Reys representará um retrocesso no processo humanitário de libertação de seqüestrados pelas FARC e de guerrilheiros presos.

Toda a ofensiva preparada em favor da libertação de Betancourt, -- que todos os humanistas torcem pelo sucesso --- pode ter ido por água abaixo. E o momento era auspicioso, com a difusão planetária, em livro, da “ CARTA DO INFERNO”, escrito por Ingrid e apreendida com guerrilheiros das FARC. A referida obra, -- CARTA DO INFERNO” é prefaciada por Elie Wiesel, que foi Nobel da Paz e foi sobrevivente de um campo de concentração nazista

Segundo noticiam as agências internacionais, Raúl Reys morreu durante um ataque realizado pelas forças colombianas na fronteira com o Equador.

Raul Reys é o segundo homem na hierarquia militarizadas das FARC. Deveria ser o sucessor do velho Manuel Marulanda (apelidado Tiro Fijo), fundador e líder da organização, que começou insurgente e virou narco-terrorista.

O comandante Raúl Reys, como ficou conhecido, é o secretário do Estado Maior Central das FARC , ou seja, ocupava o equivalente de ministro da guerra (ministro de exército), num estado regular. Reys, desde 2005, circulava pela fronteira com o Equador. Em 18 de maio de 2005, do Equador, concedeu uma explosiva entrevista à Equavisa, que é o Canal 8 da Televisão do Equador. Nela sustentava a liberação das drogas.



O exército colombiano caçava Reys nas selvas, nos confins entre a Colômbia e o Equador. Isto desde a supracitada entrevista de 2005.

O comandante Reys chegou a sustentar, -- num jogo de cena e quando se comprovou que as FARC estavam a sustentar e a receber dividendos com o tráfico de cocaína, maconha e heroína --, a liberação das drogas ilícitas : - "A guerrilha está de acordo em combater o narcotráfico no mundo e, por isso, quer a legalização do comércio".

Reys, à época, ressaltou, em abono à sua tese, que a ocorrer a legalização, "o tráfico de drogas não seria mais um negócio". "O narcotráfico está presente no sistema de poder (governo) colombiano. A maior parte dos governantes colombianos sustentam-se politicamente com o dinheiro do narcotráfico".

Numa célebre entrevista ao Pravda russo , o comandante Reys declarou: “Não fazemos a guerra pela guerra e sim porque as circunstâncias políticas nos têm levado a enfrentar armas com armas".



Nessa entrevista ao Pravda, Raúl Reyes apontou os caminhos para a paz, mas que as FARC, no final dos anos 90, rejeitaram: o ex-presidente Andres Pastrana (antecessor de Uribe e hoje embaixador colombiano em Washington) liberou à guerrilha e desmilitarizou de forças de ordem, para iniciar o processo de pacificação, uma área territorialmente maior que a Suíça, em Caguán. A inciativa de Pastrana foi interrompida em 2002, com o exército retomando as áreas liberadas da região de Caguán.

Mas, sobre como alcançar o processo de paz, frisou Reys: “- "Nossa principal bandeira tem sido e continua sendo a convicção profunda e sincera de ser possível alcançar as transformações sociais fundamentais que Colômbia precisa, por vias distintas à guerra entre irmãos de uma mesma Pátria. E nisso seguimos insistindo".

Pano Rápido. O certo é que sob o comando de fato de Raúl Reys (Marulanda está velho e nunca foi ideólogo), as FARC perderam seu lugar na história. Isto ao trocar a luta ideológica pela barbárie, com eliminações de civis, seqüestros, extorsões, etc.

Mais ainda, deixar essa organização se desvirtuar foi responsabilidade de Reys.

As FARC nasceram em 1964 como organização insurgente. Isto por respeitáveis razões histórico-culturais, que deitam raízes no ano de 1948: confira-se em 19 de abril de 1948 o assassinato, -- a mando dos latifundiários-- de Jorge Eliécer Gaitán, o líder mais popular da história da Colômbia. Gaitán era considerado o próximo e imbatível presidente colombiano.

Esse novo quadro, infelizmente, não ajudará na salvação da vida de Ingrid Betancourt.
-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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