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MÁFIA. Solto o filho de Totó Riina. Cidade de Corleone assustada.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de fevereiro de 2008.

Foto do jornal La Repubblica: Salvuccio, deixa o cárecere


O mais sanguinário de todos os grandes chefes mafiosos foi Salvatore Riina, apelidado, por ser baixinho, de Totò u´Curto.

Para ter idéia, ele mandou sua organização, a Cosa Nostra, dinamitar os juízes Giovanni Falconi (23 maio de 1992) e Paolo Borselino (19 de julho de 1992).

Nascido na cidade siciliana de Corleone, Riina permaneceu 23 anos e 6 meses foragido. Só que nunca deixou a Sicília e morava em condomínio de luxo, localizado numa das principais avenidas de Palermo, a capital e o coração da Sicília.

Depois dos rumorosos assassinatos de Falcone e Borselino e graças a um trabalho de infiltração realizado por um policial carabineiro que usava, por segurança, o pseudônimo de Capitão Último, o capomafia Totó Riina foi

Parêntese: foragido desde 8 de julho de 1969 e preso em 15 de janeiro de 1993, pouco menos de um ano dos assassinatos de Falcone e Borselino. Parêntese fechado.

Com a prisão de Totó Riina aos 63 anos de idade, a mulher, Antonina Bagarella (Ninetta), e os filhos (Maria Concetta, Giovanni, Giuseppe Salvatore e Lucia), retornaram a Corleone e reabriram, para voltar a morara, a casa fechada desde 1969.

Relembrando o ditado popular de que “aqueles que saem aos seus não degeneram”, Giovanni e Giuseppe Salvatore, os dois filhos homens de Totó Riina, iniciaram, sem sucesso, a carreira de “aspirantes a boss”

Giovanni, 31 anos de idade, já está condenado,-- por eliminar uma família de Corleone--, à pena de prisão perpétua. Encontra-se custodiado no cárcere de segurança máxima de Sulmona, na região meridional de Abruzzo.

Quanto ao filho caçula Giuseppe Salvatore , que completará 30 anos em abril e tem o apelidado de Salvucio, foi , no final da tarde de ontem , colocado em liberdade provisória, depois de permanecer seis (6) anos preso. Também estava no cárcere duro de Sulmona.

Um automóvel novo da marca Mercedes Benz , cor preta, recolheu Salvatote Jr. na saída do presídio. Na companhia da mãe Ninetta (uma ex-professora de escola pública primária) e da irmã mais velha Maria Concetta, ele foi transportado de volta a Corleone.

O filho do sanguinário Totó Riina: quem sai os seus não degenera.


Detalhe. Salvuccio não voltou para a antiga casa e nem para as duas fazendas do pai, pois estas já foram seqüestradas pelo Estado-italiano. Hoje, a família Riina mora num pequeno apartamento em Corleone. Uma das fazendas está na posse da Cooperativa Pio La Torre (nome do deputado morto pela máfia depois de ter projeto de lei aprovado e a tipificar como crime especial a associação mafiosa), sem fins lucrativos, que explora o agro-turismo para investir em ações cidadãs e antimáfia. A segunda fazenda, abriga a Cooperativa Plácido Rizzoto, morto pela máfia em 1948 quando em defesa de camponeses. Salvuccio, --candidato a “boss”--, foi condenado por extorsão e associação mafiosa em 2004: estava preso preventivamente desde 2002.

Como transcorreu mais de dois anos a tramitação do processo entre dois graus de jurisdição ( primeiro grau e apelo em segundo), a Corte de Cassação mandou colocá-lo em liberdade condicionada a não mudar de residência.

A morosidade da Justiça italiana, representou a causa da soltura de Salvuccio, ou Totó Júnior. Só que, ao contrário do que ocorre no Brasil, a prisão provisória durou seis (6) anos.

Totó Riina, o mais sanguinário da história dos chefões da Máfia


Até agora, o advogado Luca Cianferroni, -- defende também Totó Riina---, conseguiu bons resultados. Pela Corte de Cassação, foi anulada a condenação de Salvuccio por extorsão. Agora, pretende o advogado a absolvição por associação mafiosa ou a redução da pena de oito (8) anos e dez (10) meses imposta pela Corte de Apelação de Palermo.

Numa interceptação ambiental, o rebento de Totó Riina, depois de ofender com palavrões a memória dos juízes Falcone e Borsellino, avisou ao frentista que colocava gasolina no seu carro: -“ Em Corleone mandamos nós”.

Em 1993, quando a família regressou a Corleone e ele tinha 16 anos, armou-se uma estratégia de fachada para Salvuccio montar com o cunhado (esposo de Maria Concetta) uma revenda e representação das máquina agrícolas Agrimar.

A empresa, numa loja toda envidraçada, era na entrada de Corleone. Não demorou para a polícia descobrir que Salvuccio tentava usá-la para lavagem de dinheiro sujo.

Seu primeiro processo criminal, aos 17 anos, foi por co-autoria, de assassinato de uma família de corleone. Apenas o irmão mais velho, Giovanni, foi responsabiliozado e condenado à pena de prisão perpétua.

Salvuccio deixou o presídio de Sulmona com um visual especial. Jaqueta branca forrada e sem manga, gel no cabelo e uma sacola de griffe em berrante cor alaranjada. À noite, já estava com amigos em um bar de Corleone, entre sorrisos e ordens.

-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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