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Enterrado o papa da Cosa Nostra.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 16 de janeiro de 2008.

Pela sua habilidade em apaziguar conflitos entre “famiglie” (famílias) da Máfia, carregar uma bíblia nas audiências judiciais e fazer saudações do tipo “a paz esteja convosco”, Michele Greco , sanguinário capo máfia que controlava os bairros de Palermo de Ciaculli e Croceverde, recebeu o apelido de “papa”, embora nunca tenha sido nem coroínha de igreja.

Michele Greco, o papa de Cosa Nostra.


Preso em 20 de feveriro de 1983, quando tinha 63 anos de idade, e condenado à pena de prisão perpétua por plúrimos homicídios, o “papa” da Cosa Nostra morreu nesta semana aos 84 anos de idade .

Ele tinha câncer e cumpria pena no cárcere de Rebibbia, em Roma. Sobre a prisão, quando tentou uma anistia negada, falou : - “A umidade da cela corrói os ossos. Sou um sepulto vivo”.
Greco era irônico, mas usava a ironia para intimidar, inclusive magistrados. Certa vez, perguntou a um juiz quando levado a um interrogatório: _ “ Me deve explicar em que coisa mafiei”.

Em 1987, quando de uma das audiência do chamado “maxi-processo” instruído pelo juiz Giovanni Falcone, Greco e outros 86 acusados permaneceram em celas. Eram celas dentro de uma gigante sala de audiênca, num plano suspenso e pareciam jaulas. No final da audiência, Greco dirigiu-se aos juízes e disse : “La pace sai com voi” (A paz esteja com vós”).
Greco planejou e ordenou o assassinato do magistrato antimafia Rocco Chinnici. Chinnici fora o criador do “pool-antimáfia” de magistrados e convidou os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino para integrá-lo. Chinicci foi fuzilado e morto em 1983, na porta da garagem da sua casa. Junto com ele, foram eliminados seus dois seguranças e um civil que passava pelo local. Falcone e Borselino foram dinamitados pela Cosa Nostra em 1992.

Como um verdadeiro chefe-mafioso, Greco morreu negando qualquer vinculo com a Máfia. Quanto aos homicídios, dizia ser um homem de paz e as acusações “representavam uma ofensa aos seus princípios e valores de vida”.

Em muitos casos, -- como contaram ex-mafiosos que resolveram colaborar com a Justiça---, Michele Greco cortava em pedaços os corpos das vítimas e, depois de tostá-los numa grelha à carvão, dava-os aos cães e aos porcos.

Ainda dentre os chamados “cadáveres excelentes” (pessoas portadoras de notoriedade social) , Greco foi o responsável pelos assassinatos do governador da Sicília, Piersanti Mattarella, e do íntegro deputado Pio La Torre.

La Torre tinha apresentado um projeto, convertido em lei (art.416, bis do Código Penal), que passou a tipificar como crime a associação mafiosa. Ou seja, reconheceu-se que a Máfia existia como uma especial associação delinquencial.

Greco foi o traidor do grupo de mafiosos de Palermo que, sob comando de Stefano Bontate, governava a Cosa Nostra. Ele uniu-se a Totó Riina de Bernardo Provenzano, do grupo rival da cidade de Corleone. Na guerra de Máfia, venceu o grupo de Riina e Provenzano (ambos encontram-se presos).

PANO RÁPIDO. A Greco um só desejo do abaixo-assinado: Que nunca consiga descansar em paz.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--.


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