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MÁFIA. Il Padrino lê a Divina Comédia e cita o Inferno, de Dante.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 31 de janeiro de 2008.

Provenzano, endetta: quando preso, teve de colocar um colet da polícia.


Bernardo Provenzano era o capo dei capi (chefe dos chefes) da Cosa Nostra.

Ficou foragido da Justiça por mais de 40 anos.

Nesse período de “latitante” (foragido) só deixou a Sicília poucas semanas. Isto para fazer uma operação de próstata em Marselha (França).

Provenzano sempre esteve presente às reuniões da famosa Comissão, órgão de governo da Cosa Nostra e que decidia pela eliminação de autoridades. Para usar a expressão do magnífico escritor siciliano Leonardo Sciascia, a máfia produzia vítimas comuns e “cadáveres excelentes”.

A prisão de Provenzano ocorreu em 11 de abril de 2006 e ele se encontra em regime prisional duro, previsto no artigo 41 do Código Penitenciário.

Lógico, Provenzano está em presídio especial, bem distante da Sicília.

O chamado “cárcere-duro” do artigo 41, bis, do Código Penitenciário foi abrandado pela jurisprudência. Por exemplo, a correspondência continua censurada, exceção a do preso para o seu advogado, e vice-versa. Estas são as únicas invioláveis.

Pois bem. Uma carta-resposta de Provenzano a um filho de 40 anos de certo amigo falecido de Provenzano acaba de vazar.

Na carta, Provenzano, ao responder pergunta feita, disse que continua a estudar a bílbia. Aliás, como é da tradição dos chefões mafiosos. Ele disse, também, que respondia afirmativamente à indagação sobre ler a Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Quanto à Divina Comédia, continua a tê-la como livro de cabeceira nesses dois anos de prisão e “ de poucas regalias”, como duas horas ao ar-livre, sozinho, sem conversar.

Provenzano, na carta ao destinatário Michelle Bonavota, --que antes afirmara ser “Il Patrino” uma figura carismática a merecer uma troca de cartas--, mostra estar a ler o capítulo sobre o Inferno.

E Provenzano dá essa pista ao escrever: “Também devo dizer que no caminho da nossa vida me encontro em uma selva escura, porque o caminho correto desapareceu”.

A carta termina com votos de Boas Festas ao amigo epistolar. Fica a dúvida se Provenzano leu a placa de entrada no Inferno de Dante, aquela que avisa para se deixar fora, antes de ultrapassar a porta de ingresso, todas as esperanças. -Wálter Fanganiello Maierovitch-.


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