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O ESPÍRITO MAFIOSO: cai governo Prodi.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 25 de janeiro de 2008.

Mastella, sempre bizarro.






A Itália guarda muita semelhança com o Brasil e, muitas vezes, nem parece ser ela membro do G8.

O espírito mafioso da vantagem acima de tudo contamina, nos parlamentos do Brasil e da Itália , a estabilidade democrática.

Esse espírito mafioso faz não haver distinção entre Renan Calheiros (o Painel da Folha de S.Paulode hoje conta que voltou à cena para controlar a diretoria internacional da Petrobrás) e Clemente Mastella , ex-ministro da Justiça, senador e líder do nanico partido Udeur: Mastella é acusado, pela Magistratura, de participação em sete crimes, um deles por corrupção. Sua esposa, que também faz política partidária, é acusada de crime de concussão, e está em prisão domiciliar.

Pois bem. Mastella foi forçada a deixar o ministério da Justiça, depois do escândalo judiciário. Pouco tempo antes e em outro caso criminal, Mastella já estava na mira do ministério Público e, logo que percebeu, teve o “caradurismo” de pedir, junto ao Conselho Nacional de Justiça, a transferência do procurador de Justiça de Catanzaro, De Magistris, de uma apuração que estava envolvido.

Mastella, como declarou, achou que o premier Romano Prodi, -- presidente do Conselho de Ministros---, não brecou a Magistratura, como deveria. Em síntese, Mastella deixou o ministério e antecipou a crise que levou à renúncia de Prodi, depois de reprovado pelo Senado.

O meridional Mastella (nasceu no Sul da Itália) controla o Udeur, sigla partidária pretensiosa, a significar uma união de democratas europeus. Na realidade, um partido a agregar direitistas provindos da velha democracia cristã e e centristas.

O nanico partido de Mastella, no Senado, conta com quatro senadores. Dado o equilíbrio de forças entre os grandes partido, tornou-se o Udeur, sempre no Senado, o “fiel da balança”.

Com a queda de Mastella do ministério da Justiça, o seu Udeur deixou a coligação, -- de partidos de centro e de esquerda--, que sustentavam o governo do premier Romano Prodi.

Em razão da saída do Udeur, o premier Prodi resolveu submeter à Câmara (onde tinha maioria) e ao Senado (sempre difícil de se prever em face de defecções e repentinas inclinações para os direitistas, neo-fascistas e separatistas) uma moção de confiança (“la fiducia”) para continuar a governar.

Prodi venceu folgadamente na Câmara, ou melhor, recebeu o voto de confiança.

Mastella e a esposa que está em prisão domiciliar, no célebre dia do vaffanculo.




No senado, a diferença foi feita pelos senadores do Udeur, incluído Mastella (votou pela desconfiança no governo que acabará deixar). O único senador do Udeur, Stefano Cusumano, que votou favoravelmente ao governo Prodi foi agredido, física e verbalmente. O senador Tommaso Barbato, por exemplo, cuspiu no rosto de Cusumano, além de chamá-lo de pedaço de merda (pezzo di merda). Cusumano desmaiou e foi tirado de maca da plenária.

Com os senadores liderados por Mastella, mais os do grupo do ex-ministro Dini, --ao qual se aliou o senador Fisichella--, e a algumas ausências, dentre elas de Giuglio Andreotti (7 vezes primeiro ministro, senador vitalício e condenado por associação mafioso, com a prescrição a salva-lo da cadeia), Prodi caiu: 161 votos contrários à moção de confiança (fidúcia) e 156 a favor. O espírito mafioso da vantagem, acrescido da vendetta pessoal de Mastella, derrubaram o governo do sério e honrado primeiro-ministro Prodi : ele um homem de centro, que no curricum tem apenas a mácula de ter sido do Partido da Democracia Cristã, que dominou a política italiana pós segunda-guerra e até 1992, quando começou a Operação Mãos Limpas.

Dada a sua pequinês, não física evidentemente (Mastella é um gordo, do tipo comedor de “mortadella”, com baba no canto da boca e gordura nas mãos durante todo o dia), o ex-ministro da Justiça abriu a porta para novas eleições e a provável volta do grupo liderado pelo grotesco Silvio Berlusconi. PANO RÁPIDO: “Povera Itália”. E catando conclusões do escrito de primeira página do Corriere della Sera de hoje, artigo da lavra de Dario di Vinco, o desconcerto da população é grande.

A respeito do desconcerto, é bom lembrar: 1) o lixo acumulado pelas ruas de Napoli,
2) as discussões sobre a reação universitária que proibiu o papa de dar conferência na Sapienza ( universidade pública com 705 anos de vida),
3) permanentes conflitos entre ministros e que são expostos todas as noites em programas televisivos,
4) negociações escusas com senadores para negociar os seus votos ou as suas abstenções,
5) etc, etc, etc. -Wálter Fanganiello Maierovitch-


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