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MAFIA. Governador da Sicilia condenado por favorecer mafiosos, sai exultante do Tribunal.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 22 de janeiro de 2008.


foto: Cuffaro, governador da Sicília, condenado por favorecer mafiosos e só alegria.


Salvatore Cuffaro, que pela segunda vez governa a Sicília (presidente della Regione Sicília), recebeu a pesada pena de cinco (5) anos de reclusão. Foi condenado por crime de favorecimento chefões mafiosos: “ prestar a criminoso auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime.

O incrível é que saiu da sessão de julgamento comemorando a sentença. Depois dessa condenação, sustentou, “não renunciarei ao governo da Sicília”.

Afinal, alguém pode se alegrar com uma condenação pesada e por favorecer interesses de mafiosos ?

Cuffaro, na sua trajetória política, sempre exalou odor de máfia. Na última eleição, concorreu e venceu Rita Borselino, a irmã do juiz Paolo Borselino, dinamitado pela máfia. Aliás, Cuffaro, no voto, conseguiu a reeleição.

Até as escadas do majestoso e belíssimo teatro Massimo de Palermo sabem que a máfia, na última eleição, tinha Cuffaro como candidato. Dentre outras coisas, Cuffaro representava a certeza de que mafiosos continuariam a ter privilégios junto à administração pública regional.

Pois bem. Cuffaro estava sendo acusado processualmente de autoria de crime de favorecimento, este agravado pelo fato de a contemplada ser a máfia. No caso, favorecer à organização mafiosa agrava (aumenta) a pena de qualquer crime.



Quando da condenação, os jurados tiraram a agravante. Ou seja, Cuffaro favoreceu ilegalmente alguém. Só que favoreceu mafiosos e não a máfia. Segundo a sentença, havia prova da intenção de favorecimento a pessoas certas, membros da máfia. E não existia prova de favorecimento à organização.

Cuffaro vibrou. Afinal, não favoreceu a máfia. Apenas, ajudou ilegalmente mafiosos. Nas entrevistas, exultante, dizia: “não sou mafioso, como ficou reconhecido”.

Hoje, um grupo de magistrados do ministério Público, que atuam junto ao Tribunal de Palermo, analisará os efeitos dessa condenação de Cuffaro, dada o envolvimento de chefões mafiosos. E a reunião para análise poderá concluir que Cuffaro deveria perder o posto degovernador, dada a visível quebra de decoro para continuar em função pública.

Se os membros do ministério Público entenderem ser caso de perda da função, pelas leis italianas, a conclusão dos promotores será encaminhada para o comissário do Estado e deste para a presidência do Conselho de ministros. Ou seja, cassação de Cuffaro.



Ao que parece, Cuffaro precipitou-se na comemoração, que é de imoralidade gritante. Jamais vista, fora do âmbito mafioso, é bom registrar.
Wálter Fanganiello Maierovitch.


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