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FARC: 2.148 dias de cativeiro de Ingrid. Libertação das duas reféns aumenta esperança de prosseguir o acordo humanitário

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 11 de janeiro de 2008.

Ingrid, última imagem do cativeiro.


Os jornais europeus preferiram, - em face da libertação das reféns Clara Rojas e Consuelo Gonzáles--, destacar os 2.148 dias do seqüestro da franco-colombiana Ingrid Betancourt pelas Farc.

Clara Rojas teve um ato leal e heróico quando do seqüestro. Não quis abandonar Ingrid Betancourt e acabou sendo levada com a então candidata à presidência da Colômbia, na sucessão de Andrés Pastrana.

Esse ato de lealdade de Clarita, --como é carinhosamente chamada na Colômbia--, custou-lhe 5 anos e 10 meses de privação de liberdade na selva. Consuelo, então deputada, permaneceu 6 anos e 4 meses aprisionada pelas Farc.

Como se percebe, a imprensa européia preferiu aproveitar a libertação das reféns para fazer pressão em favor de Ingrid, cujo último vídeo mostrou estar em depressão profunda. E a família de Ingrid, irmão, marido e filho, da França, afinaram o discurso e não hostilizaram as Farc.

Astrid Batancourt, irmão de Ingrid, até exagerou. Disse, por exemplo, que “os rebeldes são confiáveis”. Evitou o termo terroristas, tão a gosto de Bush e Uribe, e não criou hostilidade em face do conhecido episódio do menino Emmanuel.



A propósito do menino, Astrid frisou: “- Também o caso Emmanuel é um bom precedente, pois eles (Farc) disseram a verdade, apesar da abertura para as críticas” Na verdade, -- e compreende-se a angustia e a cautela de Astrid--, as Farc só disseram a verdade depois de desmascaradas por Uribe e diante do exame de DNA positivo e a comprovar que a criança, deixada na creche, era Emmanuel, filho de Clarita.

Com muita perspicácia, Astrid, quando perguntada se estava satisfeita com a liberação dos reféns, foi “rápida no gatilho”. Respondeu: “- Claro. A liberação demonstra três coisas: 1. O empenho das Farc era sério uma vez que disseram que iriam liberar as reféns e o fizeram. 2. A mediação feita por Chavez foi um sucesso e serve para mostrar que se trata de um canal imprescindível, 3. Que se aproveite a ocasião para se definir um modus operando para se chegar ao acordo humanitário” (referência à troca entre seqüestrados e insurgentes das Farc presos pelo governo)

PANO RÁPIDO. Uribe reagiu bem e até elogiou Chavez, logo depois da efetivação da libertação. A pressão internacional intensificou-se e deverá sensibilizar o velho comandante Manuel Marulanda e o ideólogo e real comandante das Farc, Raul Reys . O presidente francês já está em campo, pois a libertação de Ingrid é de seu grande interesse político, nessa sua tentativa de humanizar a imagem. Uma imagem ainda desgastada pela postura violenta e desrespeitadora de direitos humanos, isto quando estava à frente do ministério do Interior. Wálter Fanganiello Maierovitch.


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