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José Dirceu x revista Piauí.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 10 de janeiro de 2008.
foto Folha de S.Pauli: José Dirceu, antes de se submeter a um transplante de cabelos em Recife.


Sem poder gravar as respostas, a jornalista Daniela Pinheiro, da revista Piauí , foi corajosa ao entrevistar o endinheirado José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado por quebra de decoro parlamentar.

E ela foi corajosa porque, como regra, os políticos e os ex-parlamentares são inconfiáveis. Eles costumam plantar notícias e, logo depois, desmentem, sem ruborizar. Mais ainda, procuram, muitas vezes, mandar recados e fazer chegar ameaças por meio da chamada mão-do-gato.

No governo Fernando Henrique Cardoso, o procurador Luís Francisco, como ficou comprovado, passava informações para jornalistas. E imediatamente após a publicação delas pela mídia, dava entrevistas coletivas. Com ar de surpreso e a fingir o desconhecimento, até então, de fatos graves, ela comunicava da instauração,-- ( com base no noticiado nos jornais e revistas --, o começo de um procedimento apuratório. Em outras palavras, o procurador Luiz Francisco plantava informações para poder, usada a mão do gato, apresentar-se como Catão, o censor.

Os supracitados parlamentares ou ex-políticos, sempre como regra, apostam na memória-curta do eleitor. No particular, vale lembrar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, um dos pinóquios do escândalo da violação do painel eletrônico do Congresso Nacional.

Depois de mentir teatralmente, Arruda resolveu, ---quando desmentido por provas irrefutáveis--, renunciar ao mandato. Isto para não ser cassado pela conduta indecorosa e a fim de não ter os direitos políticos suspensos.

O mega-empresário José Dirceu disse não ter falado ou tocado, na entrevista à revista Piauí , em assunto sobre negócios do Lulinha. E nem de emprego de dinheiro de caixa2 na compra da sede do PT do Rio Grande do Sul.

Sem a gravação, por evidente, está aberta a porta para um processo civil indenizatório por reparação de danos contra a revista Piauí. No campo penal, também com base na Lei de Imprensa, poderá ser aforada ação fundada em fato atentatório à honra.

Por outro lado, uma coisa é certa. Na entrevista divulgada pela revista Piauí há graves informações de ilicitudes, no campo criminal. Mais claramente, com relação a Lulinha e aos membros dirigentes do PT gaúcho do partido.

Pela nossa constituição da República e pela lei ordinária processual penal, o Ministério Público tem o poder e o dever de apurar notícias de crimes, em inquérito policial. Em outras palavras, não pode deixar passar em branco.
Talvez o desmentido de Dirceu seja uma tentativa para evitar uma investigação criminal, por iniciativa do Ministério Público. Ou seja, apostar no dito pelo não dito. Só que, num país civil (civilizado), denunciar e depois desmentir não impede a apuração da verdade real pelo Ministério Público.

Ao que parece, o José Dirceu meteu-se, novamente, numa camisa-de-sete-varas: aqui tomada a expressão da tradição cultural portuguesa, a significar enfiar-se, meter-se, numa confusão de solução complicada.

Como José Direceu está muito rico, -- hoje os jornais noticiam a venda milionária da empresa de Daniel Dantas, que tem como escudeiro José Dirceu---, a mencionada camisa-de-sete-varas, --tenho certeza--, será de uma “griffe” famosa.
Wálter Fanganiello Maierovitch


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