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TERROR: FARC DA INSURGÊNCIA AO CRIME ORGANIZADO.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 3 de janeiro de 2008.



Estou numa grande torcida. Mas, com pouca esperança de que, em breve, as Farc dêem prosseguimento à promessa de liberação dos três reféns seqüestrados.

Em 1999, no governo Andrés Pastrana, ---nem a efetiva desmilitarização de uma área maior do que a Suíça---, fez as FARC cumprirem a promessa de engajamento no processo de paz.

O ex-presidente Pastrana, -- de centro-esquerda---, terminou o mandato d presidentes sentindo-se traído pelas FARC e com baixa aprovação popular. Abriu a porta para a vitória de Álvaro Uribe, de ultra-direita.

Quando determinou a desmilitarização, Pastrana foi criticadíssimo e ganhou a inimizade dos EUA. Depois, para contemporizar, aceitou e implantou o Plan Colômbia, de insucesso absoluto na redução da oferta de cocaína. Como o mundo dá voltas, Pastrana, depois de deixar a presidência da Colômbia, virou embaixador do seu país em Washington.

No momento, são reduzidas as esperanças quanto às FARC cumprirem o que passou a ser chamado de “ato humanitário”. Ato humanitário em desagravo ao presidente venezuelano Hugo Chavez. Isto pelo afastamento, por ato de Uribe, de Chavez como interlocutor com as FARC para a libertação de reféns seqüestrados.

No particular, é bom lembrar que já voltaram para casa os membros da Comissão Internacional de Observadores.




A Comissão testemunharia a libertação dos três reféns prometidos. Essa comissão é formada por 7 países, dentre eles o Brasil, a França e a Suíça.

Sem a presença desses observadores, as FARC não moverão uma palha.

O cenário tende a piorar. O presidente Uribe não confia nas FARC, que assassinaram seu pai por ligações com os paramilitares de direita: AUC- Autodefensas Unidas di Colombia.

Além disso, Uribe levantou uma desconfiança, ou seja, Emanuel, --filho da seqüestrada Clara Roja--, não seria entregue, pois viveria numa creche em Bogotá. Essa desconfiança já virou novela, com exames do “DNA” no menino para cotejo com a da presumida avó materna.

Por outro lado, os dirigentes das FARC, de ideologia marxistas, não confiam em Uribe e denunciaram movimentos de tropas na região do Gaviare, de onde sairiam os reféns.

O certo é que Uribe e as FARC jamais celebrarão um acordo de paz. Quando muito, poderão trocar reféns e ocorrer o repatriamento de guerrilheiros das FARC que foram extraditados para os EUA.

Nesse quadro de insurgência que dura mais de 40 anos, Ingrid Betancourt, -- uma franco-colombiana que não estava entre os três que seriam libertados pelas FARC e foi seqüestrada em fevereiro de 2002---, passa a depender da pressão francesa. E sua sorte é que o presidente francês está disposto a negiciar.

O seqüestro de pessoas, ou para propaganda política ou para extorsões em dinheiro , é uma das especialidades das FARC.

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Agora, como propaganda, os seqüestros também servem para mostrar o pior lado das FARC. Uma organização que não respeita minimamente os direitos naturais, do ser humano (da natureza do ser humano, como a liberdade, etc).

Nos seus mais de 40 anos de existência, as FARC bandearam da insurgência para o crime organizado.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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