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TERROR. Desmentida versão do governo sobre assassinato de Benazir Bhutto. Tumulto na investigação. Eleição adiada.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 2 de janeiro de 2008.

Campanha de Benazir, antes do fatídico 27 de dezembro de 2007.




Por partes. 1.Governo desmoralizado. France-press desmente versão oficial sobre o assassinato. Exumação recusada. Investigação tumultuada. O viúvo de Benazir Bhutto, agora vice-presidente do Partido Popular do Paquistão (PPP), recusou o apelo para exumação do corpo da ex-premier a fim de ser realizada um oficial exame cadavérico.

Ele apenas concorda com a realização de perícia for por especialistas estrangeiros, isentos, e sob supervisão de um organismo internacional.

Enquanto continuam as polêmicas sobre os verdadeiros autores, -- com três vídeos circulando a mostrar, sob ângulos diferentes, o assassinado ---, prosseguem as investigações pela polícia do ditador Pervez Musharraf.

A agência France Press exibiu um vídeo feito por um amador. E o vídeo serviu para desmentir a conclusão apresentada pelo governo.

Ao contrário do concluído pelo governo, -- que já voltou atrás e se desculpou por meio do ministro do Interior--, Benazir não faleceu ao bater violentamente a cabeça no automóvel que a transportava (com teto-aberto), depois da explosão.

No vídeo da France-Press, fica claro que Benazir, que saudava a multidão, caiu antes da explosão, ou seja, depois de ser alvejada por projétil disparado por arma de fogo.
br> Agora, o trunfo do desacreditado governo de Pervez Musharraf são duas fotografias de suspeitos. As fotos serão distribuídas, ainda hoje, para a imprensa.

Numa delas, aparece a pessoa que fez, bem próximo, os disparos contra Benazir. Na outra, uma pessoa ao lado do atirador e que, imediatamente depois dos disparos, promoveu a explosão. Portanto, dois executores do atentado de quinta, 27 de dezembro: um atirador e um camicase (homem-bomba).

Por outro lado, peritos realizaram a reconstrução da cabeça do camicase e, para eles, é o mesmo que, na foto, aparecia de óculos escuros e terno.

Como prêmio para quem identificar ou fornecer informações úteis sobre os assassinos de Benazir, o governo está a oferecer US$164 mil.

Em resumo. Como se percebe, o viúvo tem razão em não confiar em perícia oficial. O governo, no dia fatídico, não ofereceu segurança mínima. E o comício ocorreu próximo ao quartel-general do Exército, em zona considerada a mais segura do Paquistão. O ISI, --serviço secreto paquistanês de perfil pró taleban e que seria reestruturado por Benazir caso eleita premier--, continua sob suspeita.

Eleições adiadas para 18 de fevereiro.

A Comissão Eleitoral do Paquistão, conforme esperado em face do assassinato de quinta-feira da líder Benazir Bhutto (vide post abaixo), adiou as eleições parlamentares (do partido da maioria saíra o novo primeiro ministro) que estavam marcadas para 8 de janeiro.

O presidente da Comissão, Qazi Muhammad Farooq, falou em dificuldades fáticas, pois, no tumulto que se seguiu ao assassinato e ao enterro da líder, foram destruídos matérias básicos para a realização da consulta, como listas de candidatos, cédulas, urnas, etc.

A eleição foi remarcada para 18 de fevereiro, depois de encerrado o período sagrado do calendário islâmico (8 de fevereiro).

O Partido Popular do Paquistão (PPP), --agora com o filho de Benazir na liderança e o polêmico viúvo na vice-presidência—ainda não se manifestou sobre o adiamento. O PPP insistia, antes da decisão da Comissão Eleitoral, na realização da eleição em 8 de janeiro. Dada a efetiva destruição de material eleitoral, os observadores internacionais opinam que não haverá protesto do PPP pelo adiamento para 18 de fevereiro.

Recém chegado do exílio, como ocorreu com Benazir, o outro líder de oposição ao governo, ex- premier Nawaz Sharif, concordou, em nome do seu partido (Liga Muçulmana do Paquistão), com o adiamento do pleito para fevereiro próximo.


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