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TERROR. Benazir Bhuttu. Dúvida sobre participação da Al Qaeda. 007 divididos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de dezembro de 2007.







É fácil presumir, -- e no Ocidente quase todos acreditam--, que a Al Qaeda é sempre a protagonista direta das grandes tragédias, em especial as marcadas pela covardia (caso do 11 de setembro em Nova York e Washington) e pelo emprego de homens-bomba. Aqueles camicaces que, nas escolas corânicas fundamentalistas, são submetidos a lavagem-cerebral e saem prontos para cumprir a lição de casa, denominada de “martírio” em nome de Alá.



Logo depois da tragédia com Benazir Bhuttu, o governo do ditador Perez Musharraf, --sustentado pelo Exército paquistanês e pelos EUA--, pediu calma e atribuiu aos fundamentalistas islâmicos a responsabilidade pelos assassinatos: dois disparos fatais contra Benazir e auto-explosão, com mais de uma centena de vítimas.



A Al Qaeda aceitou de bom grado a acusação e até foi feito comunicado à respeitada agência ADI-Kronus International.



Os 007 dos serviços de inteligência do Ocidente, na troca de informes, apostavam, ontem, todas as fichas na Al Qaeda, como responsável pelo atentado. Para a CIA, isso interessa, pois o Paquistão, um país islâmico, só mantém uma “fachada de democracia” para, pela força do Exército, evitar o domínio dos radicais islâmicos. Aliás, os fundamentalistas estão empenhadíssimos a se apropriar do poderio nuclear do Paquistão, que tem a bomba-atômica.



Hoje, no entanto, os 007 da inteligência européia (os norte-americanos continuam a responsabilizar a Al Qaeda) já trabalham com outra hipótese. E o suspeito principal é o ISI, ou seja, o serviço-secrteto de inteligência do Paquistão: uma agência plena de fundamentalistas com perfil a favor dos talebans, que ela mesma ajudou a formar, a soldo da Arábia Saudita.



Quando Benazir voltou ao Paquistão e depois do atentado fracassado de outubro de 2007, ela anunciou, pela segunda vez, que iria reestruturar o ISI.



Os agentes do ISI, por outro lado, já foram acusados, pelos 007 da CIA, de terem informado os qaedistas do projeto de disparos, com bombas perfurantes, em Bora-Bora, lugar das cavernas de Bin Laden. Com o informe vazado, este teria deixado as cavernas e migrado para a fronteira entre Afeganistão e Paquistão, sob proteção tribal. Também a CIA queixa-se de o ISI não fiscalizar a fronteira (Paquistão-Afeganistão), onde radicais islâmicos circulam e se escondem.



Outro fato inquietante para os 007 Ocidentais foi ter um jornal curdo ( etnia que representa 7,5% da população do Paquistão) publicado, hoje, que a pistola utilizada nos dois certeiros disparos era empunhada por um soldado, conforme testemunhos visuais. E até agora a dinânimica do atentado divide os técnicos, ou seja, ainda não conseguiram precisar o modo como se deu a execução de Benazir.



Para os 007 da inteligência européia, o local do ataque era muito simbólico. Ali e em 1951, fora assassinado o primeiro dos políticos paquistanese: Liquat Ali Khan. Mais ainda, fica o local a poucos metros do quartel-general do Exército, ou seja, é uma zona muita vigiada, policiada. Por isso, é considerado o lugar mais seguro do país.



PANO RÁPIDO. Benazir, antes do seu assassinato, tinha três grupos de inimigos:
- os fundamentalistas radicais que não aceitam um Estado-laico;

- o Exército. Até poucos dias atrás (22 de novembro) era comandado pelo ditador Pervez Musharraf ( seguiu, a contragosto, decisão da Corte Suprema, a entender a impossibilidade de acumular a presidência e manter-se à frente do comando do Exército);

- o ISI, serviço-ecreto, de perfil filo-taleban.


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