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MÁFIA: descoberta rede de 80 supermercados,

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 24 de dezembro de 2004.



Nada com o Brasil. Os 80 supermercados funcionavam apenas na Sicília, a capital da Máfia e da antimáfia.

E a antimáfia de Palermo descobriu um dos canais de lavagem e reciclagem de dinheiro sujo realizada pela Cosa Nostra, em conivência com o “Rei dos Supermercados”, Giuseppe Grigoli, de 58 anos de idade.

Grigoli foi preso na operação realizada pela Procuradoria Regional Antimáfia e toda a rede Despar de supermercados fechada.

Coube ao magistrado Roberto Scarpinato, que cuida da repressão à economia movimentada pela Cosa Nostra, comandar a operação.

A investigação começou depois da prisão, há pouco mais de um ano, de Bernardo Provenzano , capo dei capi da Cosa Nostra.

Provenzano permaneceu 43 anos foragido, sem deixar a Sicília e a Máfia. Para se proteger, Provenzano não falava ao telefone. Na comunicação com os afiliados à Máfia e os capi mandamenti (chefes regionais) ele usava “bilhetinhos”, os chamados “pizzini”

Os bilhetinhos eram escritos numa máquina antiga e eram encaminhados por meio de uma rede de pessoas. Antes de chegar ao destinatário, passava por várias e seguras mãos. Seguia o modelo das estradas-de-ferro, com entrega dos “pizzini” em cada estação de parada do trem.

Quando Provenzano foi preso, escondido num minúsculo quarto em um sítio no bairro de Montagna dei Cavalli, próxima a Corleone, vários “pizzini” que recebera foram apreendidos.

Um dos bilhetinhos havia sido enviado por Matteo Messina Denaro, chefe da Máfia da siciliana cidade de Trapani. Messina Denaro era considerado o delfim de Provenzano, ou seja, o preferido na sua sucessão.

O mafioso de Trapani escrevia sobre Giuseppe Grigoli, aquele supacitado e apelidado de Rei dos Supermercados . Mencionava alguns negócios de reciclagem de capitais sujos com o aproveitamento da mencionada rede de supermercados, mais especificamente pelos supermercados de Trapani, Agrigento e Palermo.

Giuseppe Grigoli, pelo procurador Scarpinato, foi acusado de ter se transformado no “caixa” do superboss Messina Denaro.

Como se percebe pela prisões realizadas neste 2007, incluída a de Salvatore Lo Piccolo em setembro (Lo Piccolo estava a frente da Cosa Nostra, depois da prisão de Provenzano), a Máfia não teve um próspero ano. Wálter Fanganiello Maierovitch.


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