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Al Qaeda do Maghreb: as 5 regras determinadas por Al Zawariri da Al Qaeda Central.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 12 de dezembro de 2007.

ROMA.Volto ao tema, depois da anunciada tragédia de ontem na Argélia.

O assassino egípcio Al Zawahiri, que se gaba em se auto-proclamar de o ideólogo da Al Qaeda, deu a segunda ordem para atacar as Nações Unidas.

Al Zawahiri


A primeira foi em 19 de agosto de 2003 e resultou na morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que estava no Iraque, como responsável diplomático da Organização das Nações Unidas (ONU).

A segunda ordem assassina de Al Zawahiri foi dada em setembro passado (confira nosso blog da CBN), aos salafitas. Estes, hoje, com o nome de Al Qaeda do Maghreb. A ordem-assassina resultou no ataque de ontem na Argélia, com 60 mortos (oficialmente 26), segundo organizações independentes e médicos empenhados no socorro aos 177 feridos. Duas bombas explodiram quase simultaneamente, ou seja, na sede argeliana da ONU e no bairro universitário de Ben Aknoun.

Em setembro passado, os terroristas salafitas do norte da África (Maghreb, para os islamicos fundamentalistas que atribuem aos espanhóis e franceses católicos a antiga perda do território no norte da África) receberam um sinal verde da Al Qaeda-central , com recomendações. Avisou o fanático terrorista Al Zawahiri: “-O Maghreb é islâmico. Precisamos reconquistá-lo. Morte aos usurpadores espanhóis e franceses.”

. As cinco recomendações servem para identificar atentados terroristas de matriz alqaedista. São as seguintes as cinco recomendações: .ataque espetacular a fim de marcar a consolidação do movimento da Al Qaeda do Maghreb.
.autorização expressa da Al Qaeda, incumbida de difundir planetariamente a ação terrorista, com Abu Bassir (assessor de comunicação na Argélia) incumbido de enviar as fitas-gravadas dos ataques para divulgação pela Al Jazeera.
.emprego de camicases jovens e recrutados na região.

.ataques a centros urbanos e em locais simbólicos, com significação internacional. No caso da Argélia, contra prédio da ONU.
.nenhuma condescendência com civis, que deverão ser eliminados para maior repercussão do ataque.

PANO RÁPIDO. Al Zawahiri é um sanguinário covarde. Sua formação de médico não serve para nada, pois não pensa em salvar vidas mas assassinar aqueles considerados “infiéis”. Não tem coragem para se expor nas ações. Atua como chefe do terror e fanatiza jovens para se disporem a explodir em nome de um islamismo fundamentalista.

WFM.
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RETROSPECTIVA.

22 de setembro de 2007.



ROMA. Conforme “post” de ontem, enquanto Osama bin Laden, por áudio, dava ordem para atacar o Paquistão e começar a sua jihad contra o ditador Pervez Musharraf, na outra ponta da linha “qaedista” Al Zawahiri, em vídeo, determinava a morte aos franceses e espanhóis na Algéria.

. Menos de 24 horas do ordenado em vídeo e por via internet, a Al Qaeda do Maghreb ( antiga Gspc) atacou em Lakadaria (70 km da capital da Algéria).

Foram atacados três trabalhadores, dois franceses e um italiano, da multinacional CMC, que constrói uma grande barragem em Lakadaria.

Como eles trabalhavam escoltados, cinco policiais algerianos também saíram feridos.

Logo após o atentado, a Al Qaeda enviou um comunicado detalhado sobre o ataque, incluído o número de feridos, para a televisão Al Arabiya, que mandou ao ar a informação.

Na semana passada, a Al Qaeda do Maghreb assumiu a autoria do atentado a um posto policial distante 30 km da capital algeriana. O ataque foi com bombas e três policias morreram.

A Al Qaeda do Maghreb é o novo nome do grupo terrorista salafita, adotado depois de se conectar à rede da Al Qaeda. Ocorreu o mesmo com a Al Qaeda no Iraque, quando Al Zarqawi (morto pelos norte-americanos) estabeleceu um acordo de apoio e financiamento com a Al Qaeda de Bin Laden e Al Zawahiri.

Nos últimos 15 dias, a Al Qaeda do Magreb, cujo principal líder é Abou Moussab, engenheiro especializado em explosivos, promoveu dois atentados usando homens-bombas e 50 pessoas morreram.

Pano Rápido. A Al Qaeda virou franchising. E essa marca pode ser negociada.
No Iraque, os emissários de Bin Laden fecharam acordo com o grupo de Al Zarqawi, um jordaniano que não pertencia à Al Qaeda.
Em troca de apoio financeiro e em armas, qualquer grupo pode se ligar à rede da Al Qaeda. As divulgações dos atentados ficam por conta da Al Qaeda, bem como o crédito fica a ela atribuído.

Como se percebe, a Al Qaeda faz seu marketing em cima de atos de seus aliados, que usam a marca e se posicionam como sucursais do terror.

Os discursos políticos ficam reservados à Al Qaeda, daí o litígio com Zarqawi, poucos meses antes de ser caçado e atingido por bombas atiradas por avisões (foi descoberta a casa onde se escondia).

Zarqawi começou a dar entrevistas e era apresentado como líder de um grupo que promovia a eversão no Iraque. Isso desagradava Bin Laden e Zawahiri, pois evidenciado que Zarqawi atuava por conta própria e os seus pronunciamentos contrariavam o da cúpula da Al Qaeda.

Em resumo. Operativamente, os grupos que se ligam à rede são independentes da Al Qaeda, que não conta com estrutura para estar a combater em vários pontos do planeta.

O movimento salafina na Algéria ganhou força nos anos 80, portanto não se trata de criação da Al Qaeda, de Bin Laden ou de Al Zawahiri que quer a morte de franceses e espanhóis para, como frisam, “a retomada islâmica do norte da África.”
Em 1990, como explica Jason Burke no seu livro sobre a Al Qaeda, o sunita Bin Laden tentou uma aliança com o antigo Gspc, que não manifestou interesse em ser apenas uma filial.

O acordo foi possível graças às mudanças internas, com a assunção ao poder de Abu Musab Abdel Wadoud. Com Abu Musab a Gspc passou a Al Qaeda do Maghreb.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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