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EMBAIXADOR GAY ACUSA RICE DE DISCRIMINAÇÃO.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 6 de dezembro de 2007.

Num ato de coragem, o norte-americano Michael Guest, 50 anos e já embaixador na Romênia quando tinha 40, denunciou, publicamente, a discriminação e o descaso da secretária de Estado Condoleezza Rice para com os diplomatas gays ou lésbicas e os seus “partners”.

Michael Guest.


Para marcar posição, pediu exoneração do quadro de diplomatas. Guest vive com um companheiro e, segundo revelou, ambos formam uma verdadeira família”.

Os diplomatas casados recebem, do governo norte-americano e por força de lei, uma série de benefícios, ao passo que os “partners” não são minimamente considerados, desabafou Guest.

Para ter idéia, um diplomata, casado e destacado para um posto no exterior, é reembolsado das despesas com o deslocamento da família e as atinentes à mudança, a contar até o transporte do cachorro. A família recebe cobertura médico-sanitário e a esposa pode pleitear verba para realizar, querendo e no país onde se encontra no exterior, curso de língua,

Segundo Guest, que acusou a secretária Rice de discriminação, além de o “partner” nada receber fica, no caso de perigo, sem o direito de preferência. Ou seja, não será relacionada para acompanhar o companheiro na hipótese de evacuação urgente de um país hostil aos EUA. Além disso, o companheiro do diplomata está proibido de fazer cursos ou assistir palestras sobre terrorismo.

Na diplomacia norte-americana a união gay não é proibida, mas gays e lésbicas não recebem tratamento igualitário ao das esposas mulheres. Hoje, são 11.500 diplomatas e a queixa maior refere-se a certos postos de trabalho como, por exemplo, o Iraque e o Afeganistão. Alguns, pleiteiam uma espécie de adicional por periculosidade.

O interessante é que Guest, um gay declarado, teve uma carreira diplomática brilhante. É conhecido por sua participação em seminários e movimentos contra a corrupção. Guest, ainda, sempre foi considerado, além da elegância e da boa-educação, um diplomata culto e muito hábil no trato das questões internacionais.

Ao deixar a carreira diplomática Guest começou por dizer que nas despedidas, como regra, os seus colegas falam do trabalho e dos sucessos profissionais. Ele, no entanto, falaria sobre decepções, depois de lutar, durante três anos ininterruptos, pela mudança de normas contra gays e lésbicas na diplomacia.

Até agora, a secretária Rice não se manifestou sobre a denúncia de Guest. Para ela, seguramente, o tema é delicado, pois, num passado não distante, apontada como lésbica pela revista National Enquirer.

PANO RÁPIDO. Com o governo Bush no final, Guest poderia ter aguardado a volta de um democrata (talvez a sra.Clinton) a fim de renovar as justas reivindicação de tratamento igualitário e humano.


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