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VIOLAÇAO À INTIMIDADE. Mais polêmica no caso Ingrid Betancourt

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 3 de dezembro de 2007.

Igrid> última foto antes do seqüestro pelas Frac.





VIOLAÇÃO DE INTIMIDADE.
Milão.- O teor da carta escrita pela franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (Frac) em 23 de fevereiro de 2002 emocionou os europeus e causou mal-estar na França e entre os seus familiares.

A carta era endereçada à mãe de Ingrid e o objetivo era demonstrar que estava viva. As autoridades colombianas divulgaram a carta de modo a contrariar a vontade da família de Ingrid. Para os familiares, e os franceses que acompanham o caso, o governo colombiano cometeu uma grave violação ao direito à intimidade. O governo não era o destinatário da carta e Ingrid faz confissões que não deveriam sair do âmbito familiar.

Na sua íntegra, a carta foi publicada nos jornais colombianos. Ela revelou que num aparelho velho de rádio sintoniza a estação que retransmite mensagens de familiares para os seqüestrados. Ingrid pediu aos seus familiares para que enviem três mensagens semanais, pois está perdendo a esperança e se sentido sem ter mais vontade de viver: “Quero pedir, minha cara mamãe, para dizer aos meus filhos para mandar-me três mensagens semanais. Não tenho necessidade de nada senão do contato com eles. É um contato vital, essencial, indispensável, o resto não me interessa mais.

Ingrid disse que há três anos pede um dicionário enciclopédico para poder ler alguma coisa, “ -Para manter viva a curiosidade intelectual. Continuo a esperar que, pelo menos por compaixão, me entreguem um. Mas, é melhor não pensar”.

Ingrid, no vativeiro, última foto.



A cada passo, Ingrid fala em não pensar, já não come e se afastou da única atividade que lhe dava prazer, ou seja, nadar no rio. Ela contou que não tem mais ânimo e nem força física: “Antes gostava de nadar no rio. Agora, ao contrário, não tenho força, estou fraca. Não tenho nunca fome. Não tenho vontade de nada.”

A propósito, o filme apreendido com três guerrilheiros das Farc mostra a debilidade de Ingrid: ex-senadora, ela foi seqüestrada quando, pelo partido verde, concorria às eleições presidenciais, estas ganhas por Álvaro Uribe, que até já se reelegeu.

Não bastasse a privação de liberdade em razão do seqüestro, Ingrid sofre permanentes represálias, pois os guerrilheiros encarregados da vigilância destroem as coisas que faz: cartas e escritos. Certa vez, Ingrid conta que apareceu uma folha de publicidade de um jornal antigo. Era sobre o perfume Carolina Herrera chamado “212 sexy men”. Ingrid recortou o jornal para guardar a fotografia, pois o rapaz da propaganda deveria ter a idade do seu filho Lorenço. Explicou que seria uma maneira para ficar imaginando o quanto crescera o filho. O recorte foi rasgado pelos seus carrascos, todos fanatizados marxistas.

PANO RÁPIO. A carta mostra o nenhum compromisso das Farc com questões humanitárias.

A primeira fonte de obtenção de recursos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Frac), é a extorsão mediante o seqüestro de pessoas.

Essa atividade criminosa rende anualmente às Farc US$37,32 milhões. Existem os chamados seqüestros políticos, ou seja, sem o objetivo de vantagens patrimoniais.

A segunda fonte de receita das Farc é o furto de gado (abigeato), estimado em US$22,19 milhões.
br> Ao contrário do divulgado pelos governos norte-americanos (no governo Bill Clinton, o czar antidrogas, general MacCaffrey estimou o lucro anual das Farc com as drogas em US$500milhões), as drogas ilícitas (cocaína, heroína) representam a terceira fonte de arrecadação das Farc.

Com as drogas ilícitas, as Farc obtém US$11,59 milhões. Cerca de 25% dos guerrileheiros são menores de idade.
Essa terceira fonte de lucro tem duas vertentes: (1)taxa revolucionária e (2) participação na comercialização.

A taxa revolucionária é paga pela produção de folhas de coca (matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína) em áreas controladas pela guerrilha. É feito um cálculo sobre a quantidade de cloridrato de cocaína que será produzida. E a taxa incide sobre o grama estimado da cocaína.

Por ano, a chamada taxa alcança US$8,53 milhões. E as Farc controlam cerca de 30% do território colombiano.

Quanto à comercialização direta de cloridrado de cocaína pelas Farc (recebem em pagamento dos “cartelitos” de refino, que são os que compram as folhas), a receita é de US$3,01 milhões.

Para se ter idéia, todos os anos os colombianos ofertam ao mercado de 500 a 250 toneladas de cocaína. Calcula-se que cerca de 80% da cocaína colocada no mercado internacional é de procedência colombiana.

O cálculo das fontes de receita das Farc foi levantado pela Unidade de Informações e Análises Financeiras (UIAF) do Ministério do Interior da Colômbia. Somadas as 3 fontes de receita (extorsão mediante seqüestro de pessoas; furto-roubo de gado e cocaína), temos um faturamento bruto anual de US$77,16 milhões.

Pelo UAIF do Ministério do Interior, as despesas com alimentação, uniformes, armas e munições, atingem US$35,63 milhões. Ou seja, sobre US$41,53 milhões.

Convém lembrar que no governo do presidente Bill Clynton, o czar antidrogas-general Barry MacCafrey, estimou o lucro das Farc, com a cocaína, em US$500 milhões. Ou seja, bem mais do que os US$11,54 milhões calculados pela UIAF, do ministério do Interior da Colômbia.


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