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CONFERÊNCIA DE PAZ: reconciliar os primos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 28 novembro de 2007.





Uma semana antes do início da Conferência de Paz promovida pelo presidente Bush em Annapolis, um “post” pessimista, antecidido de um comentário acre no boletim Justiça e Cidadania da CBN, incomodou o nosso colaborador Chi Qo E o ilustre internauta Chi Qo está sempre disposto, por e-mail, a enriquecer, com cultura e erudição e sensibilidade, este modestíssimo blog.

A Conferência de Paz para o Oriente Médio encerrou-se ontem, com 50 países presentes, incluídos o Brasil e os 16 estados árabes.

A surpresa foi a Síria ter aceito o convite e comparecido. Isto se deveu a pedidos realizados pela União Européia. Em outras palavras, fosse só Bush, a Síria não teria aparecido.

Os pessimistas não se abalançaram em mudar de postura no final do encontro. Consideraram que o tudo não passou de jogo-de-cena, com declarações de intenções e nenhuma palavra sobre os três maiores dissensos: Fronteiras, Jerusalém e retorno dos palestinos exilados.

Quanto aos otimistas, Bush falou em “largada forte”. Por seu turno Olmert e Abu Mazen disseram da importância dos encontros quinzenais, de um comitê permanente para discussões de divergências e da esperança de um final feliz em 2008, data marcada para a celebração do acordo de paz. Lógico, em 2008, pouco antes da saída de Bush da Casa Branca.

Evidente que o encontro não teve o sucesso daquele promovido por Bill Clinton, em setembro de 1993. Naquela ocasião, Yatzak Rabin (depois assassinado por um fanático israelense de direita) e Yasser Araf deram passo-largo e dali nasceu a chamada Autoridade Nacional Palestina (Anp). Colaboração positiva veio da Arábia Saudita que, como a Síria, não mantém relações diplomáticas com Israel. Depois de uma sinalização no discurso de Olmert, o príncipe Saud al-Faisal, ministro das relações exteriores, mostrou-se pronto para iniciar negociações voltadas a um reatamento com Israel, Líbano e Síria. Só para lembrar, o príncipe saudita, antes de partir para Annapolis, avisara, com relação ao premier de Israel: “nada de aperto de mão, mise-en-scène e cenas preparadas para câmaras de televisão”.

Essa declaração do príncipe saudita lembrou, de certa forma, ao pedido de Rabin, antes do acordo de setembro de 2003, na Casa Branca. Recomendou a Araf que não passassem do aperto de mão, pois pegaria mal os beijos: Arafat tinha o hábito de beijar. E o beijo, com o passar do tempo, poderia ser comparado ao de Judas, muito conhecido dos cristãos e também dos judeus fundamentalistas, opositores de Rabin.

O certo é que a Arábia Saudita, que lidera o grupo de países árabes moderados, pode bem avaliar os bons resultados e os benefícios do acordo de paz entre Israel e Egito. Esses primos se uniram e vivem em harmonia.

Antes de encerrar o “post”, e até para não decepcionar o nosso ChiQo, convém lembrar alguns complicadores:

a) 1,2 milhões de palestinos que habitam em Gaza, --faixa controlada pelo Hamas que se opôs à conferência de Annapolis--, dependem da ajudar alimentar e farmacológica que vem sendo distribuída pelas Nações Unidas.
b) O muro construído por Israel e que circunda a Cisjordânia, a título de prevenção contra ataques terroristas, invadiu território palestino. E separa Jerusalém do subúrbio oriental.
c) 90% dos palestinos da Faixa de Gaza vivem abaixo da linha-de-pobreza. A cada 1.000 recém nascidos palestinos, 25 falecem antes de chegar ao primeiro ano de vida, por falta de recursos básicos.

Por último, foi animadora a entrevista dada aos mídias norte-americanos por Elei Wielsel, prêmio Nobel em 1986. Ele vive em Nova Yorh. Nasceu na Romênia e sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz.

Apelidado de “Mensageiro da Humanidade, Wiesel declarou-se otimista quanto à conferência de Annapolis e alertou para a necessidade de idéias novas e de se abandonar a propaganda enganosa.


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