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MACONHA. Campanha presidencial. Ironia canábica baseada em fato real.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 26 de novembro de 2006.

Hillary e Obama buscam a preferência dos democratas.


Todo interessado em concorrer à cadeira de presidente dos EUA sabe que terá de responder, antes ou depois das convenções partidárias, se fumou maconha alguma vez na vida.

A pergunta é feita sempre depois de uma minuciosa e não revelada investigação jornalística sobre a adolescência e a vida universitária do candidato.

Desde a segunda quinzena de novembro circulavam boatos, --no “bas-fond” da política norte-americana--, sobre um “escândalo esfumaçado” a envolver Obama Barak, que disputará a preferência dos democratas com a também senadora Hillary Clinton.

A respeito, o jornalista Robert Novak divulgara, em 18 de novembro passado, estarem os partidários de Hillary a insinuar sobre um certo escândalo canábico protagonizado por Obama.

Sem querer esconder o passado, Obama resolveu antecipar-se. Poucas semanas atrás revelou, em contato com universitários, que havia fumado maconha, mas que se arrependera disso.

. O assunto parecia morto e o “escândalo canábico” sepultado.

No final de semana, no entanto, Obama foi surpreendido com a intervenção, em comício, de um eleitor.

O eleitor queria saber se Obama era favorável à legalização da maconha para fins terapêuticos.

Parêntese.

A tese da legalização para finalidade médico-terapêutica produz urticárias em Bush. Ele já foi, com sucesso, à Suprema Corte para a declaração de inconstitucionalidade de leis estaduais que admitiam o emprego terapêutico da maconha.

Apesar da inconstitucionalidade, vários estados fizeram-se de desentendidos, pois não eram parte no processo julgado ela Suprema Corte. São os seguintes os estados alvos de Bush, por permitirem o uso médico-terapêutico da marijuana: Alaska, Colorado, Hawai, Maine, Montana, Nevada, Oregon, Vermont, Califórnia e Washington. No Arizona já existe recente permissão, mas a lei ainda precisa ser regulamentada. Em 1996, a Califórnia foi o primeiro estado norte-americano admitir, por lei, o uso da marijuana terapêutica.

Fechado parêntese.

Obama foi cuidadosa na resposta ao eleitor: -“Não serei contrário se existirem provas científicas e que o emprego seja controlado. A minha posição é de aceitação desde que exista prova científica e para os doutores a marijuana seja a melhor terapia para aliviar a dor do paciente. Aliás, não existe diferença entre a morfina e a cannabis. Mas sou favorável desde que tudo seja regulamentado e acompanhado o seu emprego como inibidor de dor”.

A pergunta que se seguiu foi uma provocação à rival Hillary, com relação ao marido Bill que, em época de campanha, deu resposta pouco convincente: fumei, mas não traguei. No particular, fez escola, pois Fernando Henrique Cardoso, seu admirador e amigo, respondeu ter fumado, mas não gostado.

Sobre se já havia sentido o cheiro de maconha, Obama, --com a platéia a gargalhar e aplaudir a irônica pergunta--, respondeu com bom-humor: “ Não é algo que me orgulhe, foi um erro da minha parte, mas tinha de inalar (tragar).”


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