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LÍBANO. Vazio perigoso. Place d´Etoile cheia de soldados. Na foto, Saad Hariri, com a imagem do dinamitado pai ao fundo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 24 de novembro de 2007.

Saad Hariri é filho do dinamitado ex-premir Rafiq Hariri (ao fundo), Saad deverá suceder o premier Fuad Sinora.


Desde a infância sempre tive bons amigos libaneses. Só na redação da revista Carta Capital, tenho três. E estou com eles já faz mais de sete anos e todas as quintas-feiras.

Não vou contar que o meu urologista é libanês e isto para evitar a velha piada sobre paixão ligada ao exame de próstata.

Quando o premier e líder sunita Rafiq Hariri foi dinamitado em fevereiro de 2005, balbuciei muitos palavrões, todos seguidos da palavra “covardes”. Na explosão do caminhão-bomba morreram, além de Hariri, outros 22 libaneses.

Mandei meu coração participar, em março de 2005, da Revolução dos Cedros. Um megaprotesto contra o assassinato de Hariri e pela retirada das tropas Sírias invasoras.

Ontem, Emile Lahoud, um filo-sírio de 71 anos, esperou o relógio marcar meia-noite. Deu por terminado o seu mandato de presidente do Líbano, -- que durou nove anos (6 constitucionais + 3 de prorrogação).

Durante a semana, o Parlamento não conseguiu eleger o seu sucessor, que deverá ser um cristão, numa fórmula de equilíbrio sempre desequilibrada: Lahoud foi considerado traidor pelos maronitas (cristãos dirigidos pelo patriarca Boutros Sfeir) por suas ligações com os xiitas do hezbollah e com a Síria.

No Parlamento, os sunitas são maioria: os xiitas, em atentados seguidos, matam parlamentares para conquistar a maioria. Assim, procuram derrubar o primeiro ministro Fuad Sinora, que é sunita.

Para golpear Sinora, o presidente Lahoud, minutos antes do término do mandato, deixou uma ordem. Ordem para o general Michel Suleiman. A ordem está sendo interpretada como um decreto de declaração de estado-de-emergência.

Suleiman comanda o Exército. É cristão e candidato de Lahoud à sua sucessão. Na eleição de quarta-feira 21, ele não teve no Parlamento os votos necessários.

Pela ordem deixada por Lahoud, o Exército, comandado pelo general-candidato Suleiman, passou a ser responsável pela manutenção do estado e da segurança. Terá o controle das polícias e da ordem pública, durante o vácuo aberto.

Em síntese, Lahoud colocou Suleiman como se fosse presidente. Pior, o mandato do premier Sinora é contestado: seria ilegítimo o mandato de premier em razão do término do mandato do presidente. Espera-se que a nova crise esteja resolvida na sexta-feira próxima, quando o Parlamento se reunirá para nova tentativa de eleição de um presidente cristão.

Em crise, o Líbano participará da conferência de paz para o Oriente Médio, que Bush promoverá na terça 27 em Annapolis (Maryland-EUA).


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