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Conferência de Paz organizada por Bush.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 22 de novembro de 2007.



Uma conferência de paz promovida por Bush, depois da invasão do Iraque sob falsa motivação e das permanentes ameaças de bombardeamento do Irã, parece piada. Mas, quando se está em fim de mandato, com o império a afundar e um lugar na história pouco dignificante, é explicável a tentativa de melhorar o curriculum.

No próximo 27 de novembro (terça-feira), Bush promoverá, em Anápolis (EUA), uma conferência de paz para o Oriente Médio.

Sobre ela, dá para imaginar o que a saudosa Golda Maier, ex-premier de Israel. Golda Maier era muito sincera e conhecia o cenário internacional. Certa vez, ela disse não se conformar com o profeta Moisés. Isto porque Moisés, nos 40 anos que vagou pelo deserto, acabou por parar no único lugar do Oriente Médio que não tem petróleo.

Pelo que circula no planeta das ironias, a conferênccia está a agitar as bolsas-de-apostas de Nova York, Londres e Tóquia. A de Paris não, pois, conforme comentários, estaria a engrossar a greve que já parou a cidade.

O motivo dessa agitação prende-se ao fato de Bush ainda não ter autorizado a divulgação da lista de convidados.

Pela rádio-corredor da Casa Branca, comenta-se que a lista é composta por 40 convidados.

O Brasil estaria nessa lista. Não se sabe de expedições de convites à Venezuela e à Bolívia. Em caso positivo e com relação à Venezuela, espera-se a escalação de alguém para dar um “chega-prá-lá” no Chavez, ou melhor, alguém para fazer o papel do rei da Espanha. Seriam candidatos os presidentes da Colômbia e do Peru.

Quanto ao Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial há a certeza de que serão convidados, pois são até para torneios de golf e festas de peão-boiadeiro no Texas.

Pelo vazado à imprensa, Síria e Líbia receberão convites. O Líbano, com o adiamento da eleição à presidência e os assassinatos de políticos contrários à influência da Síria, será convidado, mas com pouco contribuição a oferecer, no que toca a mecanismo de pacificação.

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Quanto ao ditador do Paquistão, poderá estar presente, desde que deixar o comando do exército, se acertar com a oportunista Benazir Butho e terminar com o estado de exceção no país.

O Irã poderá ficar de fora e, aí, Bush cometerá um novo equívoco, comprometedor do sucesso da conferência de paz.

Dentre os “barrados-do-baile” de Bush esarão o Hamas e o Hezbolah. Se vai fazer de conta que essas duas organizações não contam num processo de paz.

Terão cadeiras garantidas o primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente palestino Abu Mazen.

Cerca de 17 países árabes serão convidados e o secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa, já confirmou presença.

Além de Bush, que será o anfitrião, teremos a presença de Tony Blair, ex-primeiro ministro britânico. Com isso, ficará patente que a dupla de trapalhões-pinóquios continua unida.

Blair, depois da derrocada, virou uma espécie de “estafeta”, sem carteira-assinada, do chamado “quarteto da paz para o Oriente Médio” formado pelos Estados Unidos, União Européia, Nações Unidas e Rússia.

Quanto à conferência, existem duas certezas. Primeira: depois dela e pela Al Jazira do Catar, o Osama bin Laden vai aparecer em vídeo para tecer comentários. Segundo: nada mudará no Oriente Médio com Bush em final de mandato.


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