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Desmond Tutu, arcebispo anglicano, defense padres gays.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 20 novembro de 2007.

Desmond Tutu.


O arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Nobel da paz em 1984 pela sua luta pacífica contra o apartheid, gravou uma entrevista bombástica. Ela vai ao ar hoje, pela Rádio 4 da BBC de Londres.

Pelo já vazado, Tutu foi veemente na defesa dos cléricos homossexuais (padres, bispos e arcebispos) da Igreja Anglicana.

No século XVI, o rei Henrique VI, um Tudor casado com Catarina de Aragão, apaixonou-se por Ana Bolena, uma serviçal (dama de honra) da raínha. Agravava o fato de a rainha não conseguir gerar um herdeiro ao trono.

O Vaticano, com o papa Clemente VII a jogar de mão com o rei da Espanha, não concedeu o divórcio a Henrique VIII. Em resumo, ele fundou a Igreja Anglicana, cristã e divorciada da Romana. Com o cisma, de 1534, o rei tornou-se, também, chefe da Igreja.

Nos útimos anos, mais precisamente em 2003, o primaz da Igreja Anglicana, Rowan Willians, de 57 anos, tomou posturas homofóbicas , ou seja, de aversão e discriminação a padres gays. Por exemplo, Willians foi contrário à ordenação, nos EUA , do bispo Gene Robinson, um gay declarado .

Na entrevista gravada, -- a ser divulgada hoje--, Tutu criticou Willians e o acusa de conduta hemofóbica.

Tutu é arcebispo da Igreja anglicana, já no gozo de merecida aposentadoria. Ele disse, na entrevista supracitada, que “ se Deus fosse contra os padres homossexuais, ele o teria seguido nunca”.

O carismático Tutu é casado e tem 4 filhos Wiilians, também casado, tem dois filhos. Eleito para o cargo de arcebispo de Caterbury, Willians conduz 77 milhões de fiéis anglicanos. Das confessionais cristãs, a Igreja Anglicana é a terceira maior.

A entrevista de Tutu foi motivada pelo lançamento do seu último livro, intitulado “Deus tem um Sonho” (God has a Dream).

Para Tutu, o tema sobre sexualidade virou obsessão na Igreja, em especial na sua. E ele advertiu que: “-Enquanto o mundo sofre com a pobreza, a aids e as guerras, a Igreja desperdiça energia em discussões se aceita ou não um padre gay”.

Profundo conhecedor dos problemas sociais da África, Tutu, no ano passado e por ocasião do Fórum Social de Nairobi (Quênia), destacou que ”a conduta homofóbica equipara-se ao racismo”.

Ainda em Nairobi, Tutu aproveitou a ocasião para atacar a Igreja católica com relação à proibição do uso de preservativo, importantíssimo na prevenção ao HIV.

Com efeito, aquele que sintonizar a radio 4 da BBC vai se impressionar com as lúcidas colocações de Tutu. Ele não cansou de dizer que o “ o sexo não deve ser motivo de exclusão”.

Numa espécie de “golpe no fígado” dos conservadores, Tutu destacou que o primaz anglicano esquece que “Deus acolhe a todos”.

Tutu insistiu, ainda, em afirmar que homossexualidade não é uma escolha pessoal. E acabou por desabafar: “-Ninguém seria louco de escolher ser gay e viver uma vida exposta ao ódio. Seria como escolher ser negro em uma sociedade racista”.


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