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Violência. Ultrà. Família da vítima fatal contesta polícia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 16 de novembro de 2007.

Zoro, vaiado por ser negro, teve a solidariedade do brasileiro Adriano.


Na manhã de hoje, o irmão de Gabriele Sandrini e o advogado da família enlutada convidaram a imprensa para um desmentido, em entrevista coletiva.

Só para lembrar, e conforme detalhado em post abaixo (publicado na quinta feira 15), Gabriele, apelidado de Gabbo, era um “DJ” de 28 anos.

Ele foi morto no domingo em razão de disparo efetuado por um policial rodoviário.

Gabbo, morador em Roma, era torcedor da Lazio. Com outros quatro amigos e numa renault-megane tinham deixado Roma para assistir, no estádio San Siro de Milão, à partida entre a Lazio e a Inter.

. A tragédia ocorreu em Arezzo, na saída de um auto-grill, onde ele e quatro amigos pararam e acabaram se envolvendo em luta corporal com torcedores da Juventus (esquadra de Torino), que viajavam num auto da marca mercedes-benz.

Até quarta-feira 14, data dos funerais de Gabbo e que reuniu milhares de integrantes de diversas torcidas organizadas, só havia uma versão. Ou seja, o supracitado policial rodoviário tinha disparado e atingira fatalmente Gabbo, dentro do automóvel que viajava.

A tragédia e a suspensão de alguns jogos vespertinos marcados para o domingo da morte de Gabbo, -- incluídos os de San Siro e o do time da Roma, no estádio Olímpico--, serviram de pretexto para os “ultrà” (não tem plural, pois terminada em vogal acentuada, como, por exemplo città) enfrentarem o Estado-italiano, simbolizado em policiais e próprios públicos.

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Ultrà, a praga fascista dos estádios italianos.



O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, manifestou-se a respeito da tragédia com o torcedor Gabbo. Deixou claro que o policial, que deveria disparar para o alto em alerta preventivo, manteve a arma numa altura imprópria, ou seja, elevada à altura de um homem de altura média.

Na quinta-feira, o chefe de polícia de Arezzo (questor) divulgou que no bolso da calça de Gabbo foram encontradas duas pedras com potencial ofensivo: “ Di 8X6 cm e 3 centimetri di spessore, e l'altra di 4X4cm e 3 centimetri di spessore, sassi atti ad offendere".

Gabbo, que integrava uma das torcidas da Lazio (não das mais violentas, segundo o jornal Corriere della Sera), poderia ter participado, segundo estava a investigar a “questura”, de uma “emboscada” armada, no estacionamento do autogril, para atacar os torcedores da Juventus que viajavam na mercedes-benz, procedentes de Napoli (sul) e a caminho de Torino (norte).

O irmão de Gabbo e o advogado da família, com razão , deixaram claro que a chefia de polícia (questura) de Arrezzo empregava diversionismo voltado a enlamear a honra da vítima de um ilegal e mortal disparo policial. Mais ainda, afirmaram que Gabbo tinha pequenos resíduos calcário nos bolsos e não pedras ofensiva: no particular, estavam mal-informados, pois foram encontradas duas pedras, com potencial ofensivo.

Lógico, a questão central está no abuso de poder do policial rodoviário. Segundo as leis italianas e o regulamento das policiais, aplicáveis ao caso, o policial apenas poderia fazer disparo de advertência: a briga tinha terminado. O veículo da marca merceds-benz já estava na estrada. E o renault-megane, no qual viajava Gabbo, encontrava-se, quando do disparo fatal, na alça de acesso à pista de rolamento, no aguardo de oportunidade. PANO RÁPIDO . Com ou sem pedras nos bolsos, nada justificava o disparo realizado pelo policial. Por outro lado, preocupa, como revelou o levantamento feito pelo Observatório de Análises da sede do Ministério do Interior, o fato de a grande maioria das torcidas organizadas são fascistas e neonazistas. Motivos político-ideológico estão a mover os violentos ultrà.

Convém lembrar que os ultrà da Lazio vaiam jogadores negros, ainda que da própria “squadra laziale”.

PRÓ-MEMÓRIA: segue, abaixo, artigo que escrevi sobre racismo no futebo italiano, neste site do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone (www.ibgf.org.br)
Ultrà, movidos por ideologias políticas, querem violência e não futebol.


“ Zoro joga futebol no Messina, que disputa a primeira divisão do Campeonato Italiano.

No domingo último (27/11/2005) durante o segundo tempo do jogo Messina x Inter e com dois gols de vantagem para o time de Milão, uma parte da torcida começou um "coro" racista contra Zoro, um negro nascido na Costa do Marfim.

Como os insultos e a intolerância racista não cessavam, Zoro colocou a bola debaixo do braço e dirigiu-se para o banco de reservas, num ato de que estaria disposto a abandonar a partida, diante das manifestações racistas. A partida foi suspensa e outros jogadores, incluído o brasileiro Adriano da Inter de Milão, convenceram Zoro a voltar ao campo, enquanto os racistas silenciavam.

Em face do ocorrido, a Federação italiana determinou, nesta segunda feira (28 de novembro de 2005), o atraso em 5 minutos para o início de todas as partidas de futebol, incluídas as jogadas na Liga Nacional Diletantista.

Nos 5 minutos estabelecidos, os jogadores ficarão no centro do campo, em protesto contra manifestações de intolerância. Uma faixa contra o racista e a intolerância será exibida.

. O responsável pela Inter de Milão, presidente Massimo Moretti, solidarizou-se com Zoro. Vários dirigentes de futebol ficaram indignados com a repetição, na Itália, de outra manifestação de racismo.

Em Roma e no início da "Coppa Italia", a torcida da Lazio começou a vaiar e ofender os jogadores negros da Lazio quando pegavam na bola. Diante disso, elaborou-se uma campanha contra o racismo, cuja frase era "Faça um gol contra o racismo". À época, Zoro participou ativamente da campanha.

Como se percebe, a campanha não deu certo. O racismo continua e a nova medida ( 5 minutos de atraso nas partidas e exibição de faixas educativas), poderá inibir, por tempo curto, os intolerantes.


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