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TERROR. Os Ultrà, fora e dentro dos estádios.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF,15 de novembro de 2007.

Torcida da Lazio.


Hoje madruguei para pegar os telejornais italianos. Pega fogo a questão dos ultrà, ou seja, dos membros violentos das torcidas organizadas italianas: os ultrà são uma espécie do gênero hooligans britânicos .

Só para recordar. No domingo de manhã, por volta das 9 horas, ocorreu uma tragédia num auto-gril, próximo de Arezzo. Numa Renault-megane, cinco amigos, todos torcedores da Lazio (região que tem como capital Roma), pretendiam chegar a Milão (norte) para assistir, no final da tarde, o jogo da Lazio contra Inter. A partida estava marcada para o estádio milanês de San Siro.

Os jovens, dentre eles o DJ. Gabriele Sandrini , apelidado de Gabbo , cruzaram, no estacionamento do aut-gril à beira da autoestrada, com torcedores da Juventus de Torino. Esses, estavam numa Mercedez-Bens e procediam de Napoli (sul).

Não levou segundos para o confronto físico, com socos, pontapés de golpes de guarda-chuva.

Do outro lado da pista, separada por intransponível e elevadas grades, passou a viatura da Polistrada, isto é, da polícia rodoviária.

A briga foi interrompida pelo barulho da sirene policial e os conendores entraram nos automóveis e partiram. Só que o policial resolveu impedir a fuga dos ocupantes do Renault-megane. Atirou e o projétil atingiu Gabbo, sentado no banco traseiro, entre dois colegas. Ele morreu na rodovia, às 9,40hs.

As autoridades e os dirigentes esportivos, por cautela, suspenderam algumas partidas do campeonato como, por exemplo Inter contra Lazio e Roma versus Cagliari.

A pretexto da morte de Gabbo, os ultra resolveram atacar, no período da tarde e no horário das partidas suspensas. Tudo começou em Roma e desdobrou para outras grandes cidades, como Milão.

No pós-tragédia e no mundo globalizado da bola, o paroxismo poderá gerar confrontos sangrentos e imprevisíveis. O juiz Enrico Imprudente, -- que não se perca pelo nome, aceitou ontem, no início da noite, a tese apresentada pelo ministério Público. Ou seja, de agravamento da pena por terrorismo e issto com relação a dois ultra italianos, ou seja, membros de torcidas organizadas, presos no domingo: foram presos quatro ultra em Roma e dez em Milão.

. Pela primeira vez, dois torcedores, --por invasão e depredação de quartéis e ruas--, poderão pegar pena de 12 a 22 anos de prisão.

Essa agravante de pena relativa a terrorismo entrou na lei italiana em 2005 e está no art.207 do código penal.

Jogo da Lazio.


Para o ministério Público, o objetivo dos , no domingo, foi incutir medo na população e causar a submissão do poder público. Ou seja, agiram como terroristas.

O ministério Público considera, --pela técnica de guerrilha empregada nas ruas de Roma pelos ultra--, ter a violência sido pré-ordenada. E está a a magistratura do ministério Público atrás de centenas de membros das torcidas organizadas da Lazio e da Roma.

Também pela primeira vez, torcidas organizadas inimigas e violentas, da Lazio e da Roma, se uniram para enfrentar o Estado-italiano.

Os alvos, e aí está o valor simbólico em jogo, foram policiais e os próprios públicos. Pareceu o PCC paulista solto em Roma.

Está nítido, para sociólogos, antropólogos e governo que,-- em várias torcidas organizadas italianas--, o componente político-ideológico é o combustível da violência.

Com efeito. Não se trata apemas de vandalismo. Mas, fascismo, racismo, nazismo e extremismos de esquerda e de direita.

Para ter idéia, a Lazio tem três organizadas. Duas são de extrema direita, fascistas e neonazistas: Irriducibili e Banda dei Noantri (“banda do é nois”, numa tradução livre). Uma é de direita moderada: CML 74.

Na esquadra da Roma, são quatro torcidas organizadas. Três compostas por ultrà neofascistas e neonazistas: Boys; Padroni di Casa; Ultras Romani; Ultras. Só uma das organizadas da Roma, chamada Fedayan, é apolítica.

Ontem, os ultrà voltaram a mostrar força, mas, desta vez, sem violência. Os ultrà de toda a Itália foram ao velório do Dj. Gabriele Sandri, de 28 anos e morto pelo supracitado disparado de um policial. Parêntese. Nessa situação deconfronto em beira de estrada, a lei e os regulamentos, só permitiam tiro para o alto: advertência. O policial fez mira e acertou Gabriele.Parêntese fechado.

Diante da manifestação de força dos ultra, em pleno velório, o ministro do Interior e o premier Rmano Prodi radicalizaram. Disseram, hoje, que as polícias, --que no domingo atuaram apenas na contenção--, estão autorizadas a enfrentar os ultra. Ou seja, guerra à vista

Na igreja de S.Pio X, em Roma (estação Tiburtina do metrô), o ambiente era tenso. O jogador e ídolo Totti estava presente e o chefe de polícia, em nome da corporação, enviou uma coroa de orquídeas.

Por sorte, alguém resolveu colocar para tocar, -- e isso acalmou e desarmou espíritos--- a música da predileção de Gabirelle (Gabbo).

A música chama-se Meravigliosa Creatura, da Gianna Nannini. E este abaixo-assinado, enquanto escreve com muita tristeza, emociona-se com a Missa de Réquiem, de Verdi.. Wálter Fanganiello Maierovitch.


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