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Avião dos Sonhos. De Bahadur Gupta a Nelson Jobim.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 13 de novembro de 2007.

Aeroporto de Nova Delhi.


Depois de muita espera em aeroportos e reflexões, acho que a solução para resolver o problema aéreo no Brasil chama-se Bahadur Grupta

. Ele é um engenheiro indiano. Aposentou-se como piloto da Indian Airlines e se tornou um empresário de grande sucesso em Nova Deli, onde é muito admirado.

A Índia é o segundo país mais populoso do planeta. E 99% dos indianos nunca fez uma viagem de avião.

O comandante Grupta, na sua empresa, não permite atrasos. Nem usa o truque do overbook. E venda antecipada como fez a Bra no Brasil, nem pensar.

O comandante Grupta tem sempre um Airbus A300, com 40 lugares, à disposição daqueles que adquirem bilhetes.

O check-in é rapidíssimo. Não há limite de bagagens. As aeromoças são impecáveis. Passam carrinho com refrigerantes, vinhos e comida de primeiríssima. E, com muita atenção, mostram como atar os cintos de segurança, usar as máscaras de oxigênio.

. Nenhuma turbulência ocorre durante os vôos e, pelo observado, os passageiros do Airbus 300 atendem a todas recomendações da tripulação e aos avisos luminosos.

O preço da passagem é uma bagatela, mas sempre com embarque em Nova Deli. Cada bilhete custa a bagatela de 150 rúpias, ou seja, cerca de 4 dólares.

A companhia do Gupta não proporciona programas de milhagens, pois, conforme informam as aeromoças, esse cálculo não pode ser realizado.

Na companhia indiana do comadante Grupta o passageiro pode relaxar e gozar com os bons serviços oferecidos.

A segurança é perfeita, graças às minuciosas revisões. Nunca teve avião que caiu a porta, como já sucedeu no Brasil.

Além disso tudo, o comandante Grupta estimula a fantasia entre os passageiros, que contam com ar condicionado e sistema acústico onde não se ouve ruídos externos. Os passageiros sentem apenas um leve trepidar, em especial nas decolagnes e aterragens.

Como 99% dos indianos nunca subiu num avião, o comandante Grupta coloca seu Airbus 300, sem motor, para as fantasias. O Airbus 300 fica permanentemente estacionado num terreno ao lado do aeroporto de Nova Deli.

O comandante Grupta não engana ninguém. Ao contrário do governo Lula que prometeu e não consegue resolver, minimamente, a crise aérea.

E,por aqui, temos de agüentar o ministro Jobin a criar factóides diários. Como lembra hoje o jornalista Jânio de Freitas, da Folha de S.Paulo, o ministro Jobim não acertou nem na restrição imposta ao aeroporto de Congonhas. E já foi obrigado a mudar, por pressão das companhias áreas.

Para contornar o desrespeito ao cidadão, colocaram a Justiça para funcionar, --na forma de juizados especiais--, em alguns aeroportos brasileiros. Na verdade, uma Justiça para acalmar os que perdem vôos e a paciência.

É uma Justiça que antecipadamente já sabe quem vai perder a causa, ou seja, as companhias de aviação e as Anac da vida. Trata-se de uma Justiça que usa da fantasia como o comandante Grupta, pois ambos sabem, previamente, que com os bilhetes comprados, os passageiros dificilmente sairão do chão.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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