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A Máfia vai à Praia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF,9 novembro de 2007.

Lo Piccolo, depois das férias, uma surpreendente prisão em pleno outono.


Ninguém é de ferro. Afinal, a lei obriga a concessão de férias.

Engraçado é que até a Cosa Nostra, fora-da-lei , abre exceções, ou seja, cumpre a lei. Lógico, com relação a direitos trabalhistas do chefão. Assim, concede férias remuneradas ao capo dei capi.

Com a prisão de Salvatore Lo Piccolo, ocorrida na segunda-feira passada, descobriu-se que o chefão (“premier” do Conselho de ministros da Cosa Nostra) recebe “salário” e “férias”.

O chefe da maior organização criminosa mundial, que já faturou em 2007 cerca de 900 milhões de euros (7% do “prodotto interno lordo” italiano), recebe das “famiglie mafiose” 40 mil euros por mês.

Quanto às férias, a polícia encontrou com Lo Piccolo um álbum de fotografias de família.

Com chinelos, bermudas e camiseta, Lo Piccolo, bronzeado, aparece em fotografias na praia.

Lo Piccolo era foragido da Justiça e, sem sair da Sicília ou deixar a Cosa Nostra, foi procurado pela polícia durante 23 anos.

Contra a esposa Rosalia e o filho mais novo, Cláudio, não pendiam mandados de prisão. Eles viviam em S. Lorenzo, cidade vizinha a Palermo, freqüentavam a missa aos domingos e o local de residência era conhecido pela polícia e a Justiça.

Nas fotos das férias, o capo Lo Piccolo, 62 anos, aparece ao lado da mulher, do filho Cláudio, da nora e da netinha. Todos em trajes de praianos.

Conhecido por “barão” entre os “picciotti” (soldados de máfia) e chamado pela família e amigos de “Totuccio”, Lo Piccolo, nas fotografias de férias em praias sicilianas, apenas não contava com a companhia do filho Calogero. E isto porque cumpre longa pena por associação mafiosa.

PANO RÁPIDO. Pelas fotos, ficou evidente que a polícia, nos 23 anos de fuga de Lo Piccolo, nunca se interessou em vigiar a sua mulher Rosália e o filho Cláudio, de 29 anos.

Eles não acompanharam Lo Piccolo na fuga. Mantiveram-se na residência da família, em lugar certo e conhecido.

É isso: a movimentação familiar não era vigiada. Ou será, caro e paciente leitor, que a polícia também tirava férias no mesmo período que o Padrino?

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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