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Guerra às Drogas. Bush pede autorização ao Congresso. Plano México é o nome da nova aventura.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 6 de novembro de 2007.



O presidente George W.Bush pediu ao Congresso de verbas para o Plan México , que terá seis anos de duração.

Ou melhor, Bush precisa de autorização para a constituição de um fundo de US$1,4 bilhões, que prevê o envio ao governo do presidente Felipe Caldeiron de aportes anuais. A primeira das parcelas está estimada em US$500 milhões.

O dinheiro será empregado na compra de helicópteros, aviões, armas eexplosivos. Parte, será gasta com o adestramento de policiais.

A simples leitura da destinação de verbas mostra a sua destinação para a política da War on Drugs , que, ainda, não conseguiu reduzir em um grama a oferta de drogas proibidas em território norte-americano.

Só para lembrar, a War on Drugs começou no governo Richard Nixon e se ampliou no de Ronald Reagan. Essa política militarizada de exportação (vide Plan Colômbia e Plan Dignidà na Bolívia), na verdade, serve para intervenções, cooptações e disfarçadas violações de soberanias nacionais.



Aliás, desde a chamada “Lei Seca” de proibição à bebidas alcoólicas (1920 a 1933), os governos dos EUA nunca conseguiram implementar uma política eficiente voltada à redução da oferta e demanda às drogas ilícitas. Lógico, para fins imperialistas, a “War on Drugs” é um sucesso.

A respeito, Bill Piper, diretor da Drug Policy Aliance, declarou, diante do Plan México, “ Esse tipo de política já faliu para a cocaína, heroína, marijuana e para todas as outras substâncias, como para o álcool durante o período do proibicionismo. Uma regra fundamental da economia ensina que onde houver demanda haverá oferta”.

Wálter Fanganiello Maierovitch.
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Retrospectiva IBGF: 20 de agosto de 2007. Publicado no nosso site IBGF.

Hoje (20/8/2007), em Quebec (Canadá), os presidentes George W. Bush (EUA) e Felipe Calderon (México) anunciam o “Plan México”.

O supracitados presidentes estão em Quebec para um encontro trilateral. Em paralelo a ele, será anunciado o “Plan México”, que já está sendo chamado de “plano de apoio a Calderón”.

Sabe o governo Bush que Calderon precisa legitimar-se como presidente. As eleições foram tumultuadas, uma pequena diferença de votos separou o vencedor do seu concorrente (Lopes Obrador, então prefeito da Cidade do México). Mais, ainda estão latentes as acusações de fraude nas apurações dos votos.

O “Plan México” terá a duração de seis (6) anos e está sendo considerado, pelos dois governos envolvidos, o mais ambicioso dos planos de cooperação regional de que se tem notícia no planeta.

Fontes não oficiais falam que os EUA investirão US$27 milhões anualmente. Instrumentos de alta tecnologia serão disponibilizados para monitoramento nos 3 mil km de fronteira entre México e EUA.

A meta principal é criar mecanismo para evitar que a criminalidade organizada mexicana, -- composta por sete (7) reorganizados e potentes cartéis--, continue a desfrutar de facilidades na região de fronteira e na navegação pelos golfos da Califórnia e México.

Para as agências norte-americana (Cia, DEA e Nas), 70% das drogas ilegais (cocaína, heroína, maconha e metanfetaminas) encontrada nos EUA ingressam pelo México.

O “Plan México” é completamente diferente do falido Plan Colômbia. Este último consistiu na presença norte-americana em território colombiano, em especial para o derramamento de herbicidas, pelos aviões da Dyn Corp, em áreas de plantio de coca.

Só para recordar, o governo norte-americano, nos cinco anos de Plan Colômbia, gastou US$ 5,0 bilhões. As áreas de cultivo migraram e não se conseguiu reduzir a oferta de folha de coca, que é a matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína. Como os mexicanos não abrem mão da histórica bandeira de independência e soberania, não se ousou, Plan México, estabelecer-se presença de agentes dos EUA além da fronteira.

Pelo Plan México, as forças norte-americanas farão pesada repressão, do seu lado, das redes que, a partir dos EUA, enviam armas e munições para os cartéis mexicanos. Por outro lado, os EUA irão se comprometer com a redução, que é altíssima, do consumo de drogas no seu território.



Parêntese. Os norte-americanos são os mais consumidores de drogas do planeta. Os cartéis mexicanos contam com arsenal bélico e, na guerra que travam pelo controle do narcotráfico, já foram mortas três mil pessoas, só em 2007.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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