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MÁFIA:Preso Lo Piccolo. Foto por computador não batia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 5 de novembro de 2007.

Salvatore Lo Piccolo.


Salvatore Lo Piccolo, de 65 anos e apelidado “Barão”, estava foragido há 24 anos.

Sua fotografia através computador, como se pode observar depois da prisão, não se prestava para identificar o capo-mafioso.

Sua carreira mafiosa começou nos anos 60, na cidade de San Lorenzo. Começou como guarda-costas do chefão mafioso Rosário Riccobono, cuja trajetória é descrita no livro testamento do juiz Giovanni Falcone, intitulado “Cose di Cosa Nostra”.

Lo Piccolo controlava as obras públicas, indicando os empreiteiros para as licitações. Também comandava a extorsão aos comerciantes, que mensalmente pagavam o “pizzo” (pegágio mafioso).

Quando da prisão, Lo Piccolo estava reunido com dois chefes mafiosos regionais, igualmente procurados pela polícia: Gaspare Pulizzi (capo do mandamento de Brancaccio: local governado por Provenzano por mais de 40 anos) e Andréa Adamo (mandamento territorial de Carini).

Sandro Lo Piccolo, 32 anos era uma espécie de secretário do pai Salvatore, ou seja, seu braço direito na organização. Era igualmente procurado e dos arquivos policiais e judiciários constava que se encontrava foragido há 10 anos.

Quando a casa foi cercada e os mafiosos dominados depois troca de tiros, Sandro começou a chorar e a dizer: Ti Amo Papà.
Ao contrário de Bernardo Provenzano preso em abril de 2006, o seu sucessor, Lo Piccolo vivia confortavelmente, numa “villa”, de frente para o mar: Provenzano escondia-se num desconfortável e improvisado quarto, junto a um paiol de um sítio próximo de Corleone: bairro Cavallo.

Lo Piccolo e a sua guarda mafiosa reagiram à prisão e trocaram tiros com os policiais da célebre Esquadra Móvel de Palermo.

Parêntese. A Esquadra Móvel de Palermo perdeu, em agosto de 1985, Ninni Cassarà, seu chefe. A Máfia eliminou-o quando chegava em casa. O fuzilamento foi presenciado pela esposa de Cassarà, que carregava a filha de 6 meses.

Para a prisão de Lo Piccolo contribuíram as delações do mafioso Francesco Franzese. Ele se tornou colaborador de Justiça e tinha sido um dos homens de confiança de Lo Piccolo quando o tema era extorsão.

Cerca de 40 policiais civis participaram da prisão do chefão Lo Piccolo.

O magistrado que acompanhou os trabalhos foi Francesco Morvillo. Ele era irmão da esposa do juiz Giovanni Falcone e morreu dinamitada, junto com o marido, no atentado de 23 de maio de 1992. A esposa de Falcone, Francesca Morvillo, era também juíza, mas especializada em direito do trabalho. Encontra-se enterrada junto com falcone, numa pequena capela do cemitério de Palermo.

PANO RÁPIDO. As forças de ordem da Itália conseguiram, nos últimos anos e depois de a Máfia decretar guerra ao Estado (1992), prender os super-chefes da máfia, como Totó Riina, Bernardo Provenzano, Giovanni Brusca (acionou o comando para a explosão, na morte de Falcone), Leoluca Bagarella (ministro do exército mafioso) e, agora, Salvatore Lo Piccolo.
Com a concentração na repressão à Máfia sicílina, abriu-se espaço para as expansões da Drangheta (Calábria) e da Camorra (Campânia-Napoli).

O lugar de Lo Piccolo será ocupado pelo sanguinário Matteo Messina Denaro, que disputava a sucesso de Provenzano. Denaro controla a cidade siciliana de Trapani e é procurado pelo “pool-antimáfia” desde 1993.
Wálter Fanganiello Maierovitch.


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