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DROGA. A Viajada do Parlamento Europeu

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 28 de outubro de 2007.

campo de papoula.





O Parlamento Europeu aprovou, por 368 votos favoráveis, 49 contrários e 25 abstenções, recomendação dirigida aos governos dos países integrantes da União Européia para ajudar, pela fórmula sugerida pelos deputados europeus, o Afeganistão a resolver o problema do ópio ilegal.

O Parlamento propôs a compra da produção do ópio extraído no Afeganstão, para emprego médico-terapêutico.

Com isso e sem nenhuma reflexão mais séria, entenderam os europarlamentares que os cultivos ilegais e a extrações nas cápsulas das papoulas não mais seriam disponibilizadas ao tráfico internacional e ilegal.

O Afeganistão é o maior fornecedor mundial dessa droga proibida. E o “pib” (produto interno produto) do Afeganistão depende do cultivo e do tráfico ilegal do ópio, do qual se prepara a heroína.

O ópio movimenta cerca de 50% do pib-afegão.

Em outras palavras, a economia do Afeganistão é dependente do ópio.

Não há dúvida de que a indústria farmacêutica coloca na praça, para tratamentos, produtos compostos e extraídos da papoula: têm efeito analgésico.

Para isso, são mantidas áreas de cultivo, -- sob intensa fiscalização--, na Índia, França, Austrália e Turquia.

Nos referidos países de produção legal, o cultivo e a extração, -- sempre com tecnologia avançada--, atendem plenamente à demanda da indústria farmacêutica mundial. E tais países têm capacidade para oferecer três vezes mais do atualmente demandado.

Como até as papoulas sabem, no Afeganistão, os clãs, comandados pelos senhores das guerras, é que mantém o cultivo e fornecemo ópio-bruto às organizações criminosos incumbidas da disseminação planetária da droga.

Os talebans, com o comércio do ópio, conseguem adquirir armas e sustentar a luta voltada à retomada de Cabul (capital do país).

A situação de beligerância em todo o Afeganistão, -- com tropas internacionais a serviço da NATO em confronto intenso com os talebans--, mostram como seria inviável a compra do ópio, por governos de países da União Européia.

Fora isso, com oferta em países próximos e controlados, o custo, com relação ao Afeganistão, seria elevadíssimo. Dá para imaginar quantos soldados da NATO seriam necessários apenas para vigiar os campos de papoula? Mais ainda, Hoje, os campos no Afeganistão, estão em áreas controladas pelos talebans.

Campo de papola no Afeganistão.


PANO RÁPIDO.

Para especialistas, a proposta do europarlamento é irreal e irrealizável. Muitos chegaram a avaliar como decisão inútil e de uma incrível irresponsabilidade. No popular, os eurodeputados perderam uma grande oportunidade para silenciar.

DADOS INFORMATIVOS.
1 No Afeganistão, 12,6% da população cultiva a papoula, de cuja cápsula é extraído o ópio (suco em grego). Por provocar sonolência, o líquido (resina) também ficou conhecido por morfina: de Morfeu,o deus do sono.
2 Os 12,6% representam 2,9 milhões de afegãos, todos dependentes economicamente do cultivo da papoula e venda do ópio.

ROTAS DO TRÁFICO AFEGÃO.
a) para o Ocidente, por meio do Irã e da Turquia.
b) para a Rússia, por meio da Ásia Central.
c) para a China e Índia, via Paquistão.
d) o ópio afegão não chega aos EUA, que é abastecido pelo proveniente do México e da Colômbia.

EXTRAÇÃO.
Caídas as pétalas da papoula, aguarda-se de uma a duas semanas. Na cápsula de sustentação das pétalas são, então, realizadas pequenas incisões.

O “leite” escorrido é riquíssima em alcalóides, como a morfina, codeína, tebaína, noscapina. Esses alcalóides são largamente empregados para fins terapêuiticos, medicinais.

Depois do contato com o ar, o suco (resina) escorrido e endurecido adquire uma tonalidade marrom e o sabor é muito amargo. A resina é enrolada em panos e vendida como “ópio-bruto”. Dele, sai a heroína, causadora de dependência física e psicológica no usuário.

Essa droga é inibidora de dor e consumida produz estado de euforia.

MERCADO.

No mercado legalizado, que atende a indústria farmacêutica, o kg. do ópio custa US$100.

O ópio-bruto no mercado ilegal do Afeganistão, custa 71 euros o kg. Colocado os custos necessários a atender a proposta dos eurodeputados, sairia, segundo cálculos realizados, em US$500por kg.


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