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ABORTO: Divisão na Anistia Internacional preocupa.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL




Os temas aborto e máfia agitaram a última semana do mês de maio. Um indesejado dissenso entre a Anistia Internacional e a comunidade cristã-católica poderá prosseguir até agosto de 2007. Isso por ocasião da Assembléia-Geral Internacional da Anistia, no México.

O motivo deve-se à proposta da seção britânica da Anistia, desejosa de incluir o aborto no rol dos direitos humanos. Para a representação da Grã-Bretanha, apoiada pela seção da Nova Zelândia, a proteção à integridade física e mental da mulher compreende, também, a interrupção voluntária da gravidez. Segundo o sustentado, o aborto deveria consistir, por imanente ao direito humano, numa opção legal, segura e acessível, de todas as mulheres.

Mais de 1,8 milhão de pessoas militam nas 72 seções da Anistia espalhadas por 150 países. Numa carta à Anistia, o bispo britânico Michael Evans advertiu: “Muitos católicos, e me incluo entre eles, se sentirão obrigados, com pesar, a se retirar da Anistia”. Até agora, a carta não foi respondida e espera-se que a seção do Canadá tome posição sobre a matéria em questão.

A grande maioria dos membros da Anistia é composta de cristãos, que já reagiram ao lembrar ter sido proclamado, na célebre Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, o direito à vida e não à morte.

O católico Peter Benenson fundou a Anistia Internacional em 1961. Nos seus 45 anos de existência, a Anistia dividiu com a Igreja muitas campanhas humanitárias importantíssimas: abolições da pena de morte e da prisão de presos políticos, repúdio à tortura. Ambas lutam pelo imediato reconhecimento dos direitos humanos e liberdade de crença na China e se opõem à permanência de filhos menores de imigrantes clandestinos nos desumanos centros de detenção.

Caso não seja incluída na pauta temática da Assembléia-Geral, a Anistia permanecerá com a sua posição de neutralidade. O certo é que a Anistia não podia se enfraquecer com a discussão de tal tema, num momento em que a maior potência do planeta, governada por George Bush, faz tábula rasa aos mais comezinhos direitos fundamentais dos seres humanos.



Para uma corrente de militantes comprometidos com o fim da criminalização do aborto, houve precipitação da seção britânica, que está queimando etapas. Para essa corrente, o foco deveria ser a pressão sobre os Estados laicos, a fim forçá-los a atuar na prevenção, com programas de distribuição de anticoncepcionais e das chamadas “pílulas do dia seguinte”. Nos países que criminalizam o aborto, alertam, proliferam clínicas clandestinas e as intervenções cirúrgicas mutilam muitas mulheres.


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