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FORÇAS ARMADAS: A Incontinência do General Encarterador.

*REVISTA CARTA CAPITAL.

AS INCONTINÊNCIAS DO GENERAL.

Comandante do Exército erra ao celebrar o golpe de março de 1964.
Reincidente específico, o comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, voltou a exaltar o golpe militar de 1964, que completou 42 anos em 31 de março. Isso um dia antes da escolha e posterior posse de Waldir Pires no Ministério da Defesa.

Em 2004, o mesmo general Albuquerque, em Ordem do Dia lida nos quartéis do Brasil, inaugurara a sua série de pronunciamentos a enaltecer os 21 anos de governos militares, iniciados com a tomada ilegal do poder em 1964. Advertido pelo então ministro da Defesa, José Viegas, o general, seu subordinado, mostrou com quem estava a força e derrubou o ministro.

General Francisco Albuquerque.


Com efeito, preocupa o fato de um militar, em posto de comando, desvirtuar a história. Pela via constitucional, os opositores do então presidente João Goulart não tinham conseguido o seu impeachment no Congresso. Quando derrubado pelos militares, Jango não estava condenado nem impedido de governar e muito menos abandonado o País, causas que, se presentes, autorizariam a vacância presidencial.

Assim nasceu a ditadura militar. A imprensa foi censurada, houve terrorismo de Estado, tortura, presos políticos desaparecidos, assassinato mascarado de suicídio, habeas corpus suprimido, além dos direitos políticos de qualquer cidadão, por dez anos, e o fechamento do Congresso Nacional.

A ilegalidade apresentava-se tão flagrante que os militares foram buscar, internamente, o apoio da UDN, partido conhecido pela sua fome de poder, e, externamente, o apoio norte-americano, com o presidente Lyndon Johnson reconhecendo o novo regime, em menos de 48 horas, após o presidente do Congresso ter declarado vacante o cargo de Jango.

A arrogância e a imprudência do general sucumbiram diante da reação corajosa da resposta dada por Waldir Pires, ao assumir o Ministério da Defesa. Com a elegância dos fidalgos, Pires enquadrou o episódio com as armas da inteligência: “Equívocos fazem parte da história”, disse ele ao se referir ao golpe contra Jango, um presidente constitucionalmente eleito.

Do alto dos seus 79 anos de idade, exílio de 1964 a 1970, em razão de ter sido o consultor-geral da República no governo de Jango, o tarimbado Pires lembrou que o papel das Forças Armadas é garantir a paz e a soberania nacional e isso será cumprido na sua gestão. O general Albuquerque, se quiser ficar no posto, apesar da má-criação, terá de bater continência para o novo ministro da Defesa e se enquadrar diante de um fato: o poder é civil.


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