São Paulo,  
Busca:   

 

 

Cultura

 

SACCO e VANZETTI: na Mostra de Veneza, minissérie dos anarquistas executados em cadeira elétrica. Novo enfoque da tragédia.

Por IBGF/Jornal do Terra

A 62ª. Mostra Internacional de Cinema de Veneza teve início de forma espetacular. Ela começou no último dia de agosto e terminará em 10 de setembro.



O desfile de abertura ocorreu na Praça de San Marco. Dentre astros e estrelas da primeira grandeza do cinema destacou-se George Clonney, que está concorrendo com o filme Good Night and Good Luck”.

O encanto marcou o primeiro dia de exibições. Todos saíram tocados pela mini-série exibida e destinada à televisão. A propósito, uma mini-série caríssima. Fala-se em 6 milhões de euros.

Essa minissérie explora, com enfoque novo e inédito, um tema que já foi objeto de filme. O tema é a tragédia dos anarquistas Sacco e Vanzetti. O filme conhecido tinha foco certo, ou seja, o processo e o julgamento de Sacco e Vanzetti Exibido em 1971, virou sucesso de bilheterias, com o astro francês Gean Marie Volontè.

Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti eram imigrantes italianos que, depois da Primeira Grande Guerra, partiram para a América e morreram na cadeira-elétrica, em Massachussets. Eles foram acusados de duplo latrocínio (matar para roubar).

As vítimas trabalhavam para uma fábrica de sapatos, a Slater & Merri Shoe. Elas transportavam duas caixas cheias de dólares, destinados ao pagamento dos salários dos operários da fábrica de sapatos. A fábrica ficava na pequena cidade de Soupt Brainther.

Referidas vítimas foram supreendidas por dois assaltantes armados que saltaram de um automóvel Buick, dirigido por um terceiro. Elas acabaram baleadas e mortas.

Passado algum tempo das mortes, Sacco e Vanzetti foram presos. Isso depois de uma tentativa frustrada de assalto. No carro onde estavam foram encontradas duas armas e eles usavam boné e chapéu, semelhantes aos dos latrocídas. No processo e durante o julagemento, os peritos concluíram que uma das armas apreendidas, naquele frustrado assalto, tinha sido utilizada nos latrocínios.

No primeiro pós-guerra mundial, os americanos tinham uma verdadeira histeria com relação aos indesejados imigrantes europeus. Temiam que eles contaminariam os EUA com ideologias européias de esquerda e o ateísmo. E o Estado de Massachussetes, onde ocorreu o duplo latrocínio, era conservador, fortemente protestante e reacionário.

Sacco e Vanzetti eram de esquerda e confessos anarquistas. Ou seja, estavam em lugar errado, de fanatismo, racismo e nacionalismo. Eles mal entendiam o inglês e eram discriminados como todos os imigrantes europeus.

Sacco e Vanzetti: vítimas da intolerância e do racismo


Condenados à pena de cadeira elétrica, em 4 de julho de 1921, Sacco e Vanzetti só foram executados em 23 de agosto de 1927. Assim, permaneceram mais de 6 anos num verdadeiro tormento. E esse período é bem explorado na mini-série.

A minissérie foca o lado humano, sensível, de Sacco e Vanzetti e as suas relações fraternas de amizade.

Os italianos Ennio Fantastichini e Ana Caprioli são os protagonista dessa ficçao televisiva. A mini-série, conforme anunciado, será mostrada em outubro de 2005, a começar pela Mediaset, que um canal italiano privado, concorrente da estatal RAI.

Comenta-se que várias emissoras estrangeiras estão interessadas em levar a mini-série para os seus países. E, talvez, possa chegar ao Brasil. O diretor da mini-série é Fabrizio Costa. A mini-série foi rodada na Bulgaria e o cenário montado imita um bairro de imigrantes italianos de Boston, onde viveram Sacco e Vanzett.

É forte na minissérie, segundo os críticos do jornal italiano La Repubblica, a nova dimensão dada às injustiça e à tragédia final.

Sacco e Vanzetti:mais de 6 anos de espera pela cadeira elétrica


Até a surpreendente relação de amizade estabelecida entre Sacco e Vanzetti restou abordada. E era incomum, à época, pelas diferenças regionais e rivalidades entre o Norte e o Sul. Vanzetti era do Norte (Piemonte)-- e Sacco do Sul (Puglia).

A mini-série transcorre em período particular, em que as minorias,- representadas pelos imigrantes--, não tinham voz nos EUA e nenhuma força para influenciar nos governos.

Para o diretor Fabrizio Costa, a mini-série é uma história humana de injustiças e perplexidades. Ele alerta: -"Aquele que assitir a mini-série deverá tirar as próprias conclusões, diante de um fato certo, ou seja, dois anarquistas que só foram condenados porque eram ativistas de esquerda.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet