São Paulo,  
Busca:   

 

 

Cultura

 

AS 3 FEIRAS DA MACONHA: comentário

Por WFM-CARTACAPITAL

FEIRAS DE CANNABIS

Na Holanda, o cultivo legal da maconha, em cerca de 100 mil residências, está aumentando o consumo de energia.

Por Walter Fanganiello Maierovitch

A economia movimentada pela maconha continua a crescer em 2005, com resultados para o bem e para o mal. Três concorridas “feiras da maconha” agitaram a Holanda (Utrecht), Espanha (Barcelona) e Suíça (Berna), nos meses de janeiro, fevereiro e março.

Feira da Espanha.


Todos os anos, essas mencionadas feiras reúnem empresários, intelectuais, turistas, artistas etc.

Na nona edição da feira de Utrecht (Highlife Hennep), por exemplo, os ecologistas bateram-se pela preservação das florestas e propuseram a substituição da celulose, empregada na confecção de papel, pelas fibras do cânhamo (cannabis).

Na área científica, o tema foi o emprego dos chamados “canabinóides terapêuticos”, encontrados para infusão nas drogarias da Holanda e, experimentalmente, em drágeas nas farmácias e quatro hospitais de Barcelona.

Entre os cultivadores, houve a disputa da Highlife Cup, reservada à melhor maconha cultivada na Holanda. A Highlife Cup garante vultosos contratos de fornecimento e os proprietários dos 800 cafés holandeses, autorizados a comercializar cigarros de maconha para um “fumacê” no próprio estabelecimento, querem garantir aos clientes a maconha campeã.

Na quinta Cannabis Trade de Berna, durante três dias, nas barracas de venda, foram apresentados óleos comestíveis, massas, bebidas, sementes, cosméticos, peças de vestuário, fertilizantes, lâmpadas, vaporizadores, cachimbos etc.

Óleo comestível de cannabis: prepare a sua salada.


Já na segunda edição da Espanha Cannabis Business, com duração de quatro dias, os visitantes, além de cem estandes, ouviram concertos, passearam pelos bem cuidados jardins do recinto do Paço Olímpico e dançaram sob a animação de um DJ.

Em Utrecht compareceram mais de 15 mil visitantes, ante 10 mil em Berna e 8 mil em Barcelona.

O lado perverso da economia movimentada pela maconha e seus derivados ficou por conta do narcoterrorismo. Os serviços de inteligência da Espanha descobriram que a célula terrorista responsável pelo atentado de 11 de março de 2004 em Madri foi financiada pelo tráfico de maconha e haxixe provenientes do Marrocos, maior produtor mundial. Depois do atentado, a célula ainda mantinha 2 milhões de euros em caixa, para outros atos eversivos. Os euros foram repassados pelo Grupo Islâmico de Combate Marroquino, que trafica drogas para a Europa.

Nesta primeira quinzena de março, Inglaterra e Holanda ameaçaram uma meia-volta nas suas políticas e fala-se em “permissão zero” ao consumo. Na Inglaterra, o alvo acabou sendo a norma que, há um ano, rebaixou a maconha para a “faixa C”, reservada às chamadas drogas leves.

Em razão da mudança da faixa classificatória, os policiais podem apenas apreender o cigarro de maconha do usuário e aplicar-lhe multa. Para políticos, psiquiatras e psicólogos de perfis conservadores, a mudança levou a uma incorreta leitura pelos jovens do Reino Unido, a entender não ser prejudicial fumar maconha.

Suíça: amplo recinto.
Na Holanda, o novo governo conservador avisou desejar melhorar a imagem negativa que o país ganhou. Nos países vizinhos, como Bélgica, Alemanha e França, 80% dos encarcerados holandeses cumprem penas por tráfico de maconha e ecstasy.

Num levantamento realizado pelo ministro holandês do Interior, Jaap de Hoop Scheffer, a cidade de Maastricht – que deu nome ao tratado de constituição da União Européia – recebe todos os anos 1,5 milhão de turistas de olho na maconha.

Um dado curioso está sendo considerado pelo governo, ou seja, o cultivo artificial de maconha no interior das casas, a exigir iluminação com lâmpadas especiais ligadas ininterruptamente, está aumentando o consumo de energia elétrica.

Como a energia está cara, apareceram as “gambiarras” e os incêndios: por ano, as empresas de eletricidade perdem 200 milhões de euros e as seguradoras pagam prêmios de 60 milhões de euros.

Nas residências, cada holandês maior pode cultivar para consumo até cinco pés de maconha. Se cultivar seis pés, passa a ser enquadrado no Código Penal e pode pegar até dois anos de prisão. Caso cultive para traficar, a pena chega a quatro anos de reclusão. E com seis pés do “produto” um traficante pode embolsar até 700 euros mensais.

Pelos cálculos realizados, a maconha é cultivada legalmente em 100 mil habitações holandesas. Uma das empresas de fornecimento de energia elétrica, a Nuon, estimou, com base em medições, o cultivo em 20 novas casas a cada semana.

As novas técnicas e o emprego de lâmpadas de fibra óptica ajudam a baixar a conta de luz, garantem os empregados das 325 lojas holandesas especializadas (Growshops).

Nas feiras, a lasanha com massa e molho de maconha foi o prato mais solicitado. E o consumo de chá de erva canábica bateu o de Coca-Cola.

*MAIS DETALHES SOBRE AS FEIRAS, CONSULTE NO SITE A SEÇÃO CULTURA.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet