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CONEXÃO HAVANA DA COCAÍNA e FIDEL PRENDE TRAFICANTE PROCURADO POR BUSH

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Dois jornalistas espanhóis, Santiago Botello e Mauricio Angelo, lançaram na Espanha (Madrid) um livro intitulado CONEXÃO HAVANA.

Cuba: novos ataques.


Afirmam os autores que se trata de uma obra de jornalismo investigativo e que o trabalho apuratória levou 1 ano.

Segundo o cubano Delfim Fernandes, exilado na Espanha desde 1999 em face de perseguição política, os dois jornalistas correram risco de vida. Caso a polícia secreta cubana tivesse notado a movimentação de ambos, teria os matado.

Os jornalistas mostraram a posição estratégica de Cuba para o narcotráfico internacional. E afirmam que "Cuba não exporta cocaína, mas permite o transito da droga", ou seja, é um entreposto que armazena e despacha a cocaína que chega aos EUA e à Europa, pela Espanha.

Cuba seria uma espécie de escala da droga procedente da Colômbia e da Venezuela e destinada aos EUA e Europa. E está bem insunuada a omissão de Fidel, quando os autores dizem que nada acontece em Cuba sem o seu conhecimento.

Afirmam os autores que no governo ditatorial de Fidel Castro, o controle pela arapongagem é completo. Portanto, se não houvesse conivência, os narcotraficantes não teriam estabelecido uma base distribuidora na Ilha.

Como se percebe, os autores referem-se à DGI (Direción General de Inteligência), que fica ligada ao Ministério do Interior (No Brasil, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República é um arremedo de Ministério do Interior). Mais ainda, a DGI tomou o modelo da eextinta KGB soviética. Uma KGB que nasceu em 1917 com Lenin (pouco antes de ele tomar o poder em outubro de 1917) e inicialmente chamou-se Cheka

Fidel: mandou ao "paredon" traficantes e um general arreglado com cartéis colombianos.


A obra Conexão Cuba da Cocaína, recém-lançada, tem sido objeto de desconfianças, até pelo depoimento dado à imprensa pelo notório anticastrista Delfim Fernandez. Foi Fernandez que garantiu que os autores correrram risco de vida.

Fidel tem mostrado mão pesada com traficantes. Em 1988, descobriu a "conexão" Cáli-Havana e prendeu os seus narco-operadores. Um deles era o general cubano Arnaldo Ocho. Esse general já foi mandado ao "paredon" por ligações com o narcotráfico.

Além disso, Fidel prendeu o traficante Hermano Gomes Bustamante, apelidado Rasguño. Rasguño era o 11 nome da lista de Bush, que ofericia % milhões de dólares por informações que levassem à prisão dp traficante (veja matéria abaixo)

Por outro lado, descobriu-se que apenas um dos jornalistas esteve em Cuba. Uma única vez e por dois dias.

Ao que parece, o livro vai encalhar nas prateleiras. No bolso do colete, Fidel tem para mostrar a prisão de u megatraficante procurado por Bush, que oferecia muitos dólares por informações e prisões. A respeito, assista, leia ou ouça o comentário que se segue.



Todos os anos, o presidente dos EUA publica a lista dos narcotraficantes internacionais mais procurados, conforme já comentamos neste Jornal do Terra. O 12º nome da última lista de Bush é o colombiano Hermano Gomes Bustamante, apelidado Rasguño. Pela prisão de Rasguño, Bush ofereceu o prêmio de US$ 5 milhões. Evidentemente, jamais poderia imaginar que o ganhador do prêmio - pela prisão de Rasguño - seria o arquiinimigo Fidel Castro, ditador cubano. Rasguño acaba de ser preso em Havana. Tinha passagem para o México e portava passaporte falso. Na prisão cubana, Rasguño levou algumas semanas para revelar a sua verdadeira identidade.

Desde o ano passado, o governo Bush pediu à Colômbia a prisão e a extradição de Rasguño, condenado nos EUA por tráfico internacional de cocaína e heroína. Ao saber da prisão de Rasguño em Havana, a Colômbia, no início desta semana, postulou ao governo de Cuba a extradição de Rasguño. Lógico que Fidel sabe que se entregar Rasguño à Colômbia haverá outra extradição, ou seja, da Colômbia para os EUA.

A respeito da extradição de Rasguño, Fidel faz suspense. A Colômbia invocou, para a extradição, um acordo com Cuba, datado de 1934. Referido acordo nunca foi colocado em prática, ou seja, pode ter perdido a eficácia, à luz do direito internacional. Fidel revelou que pretende, antes de pensar em extradição, investigar o motivo da presença de Rasguño na Ilha.

Rasguño é o terceiro homem da hierarquia do Cartel do Vale Norte, o único grande cartel que sobrou, depois da repressão ao cartéis de Medellín e de Cáli, governados, respectivamente, pelo falecido Pablo Escobar e pelos irmãos Orejuela. O Cartel do Vale Norte tem posição estratégica e opera pelo Pacífico e pelo Mar do Caribe. Vale lembrar, ainda, que o Cartel do Vale Norte é ligado e financia os paramilitares de ultradireita das Autodefensas Unidas de Colômbia (AUC). Por essa razão, o maior traficante de cocaína do planeta, Diego Montoya Sanches - apelidado Don Diego e chefe do Cartel do Vale Norte -, não é preso pelas autoridades colombianas. Experiente na luta antiimperialismo, Fidel quer investigar Rasguño.

Em 1988, Fidel descobriu a conexão Cartel de Medellín-Cuba. E mandou para o "paredón" o general cubano Arnaldo Ochoa, que controlava a passagem da cocaína colombiana pela Ilha cubana.

Quando soube do pedido de extradição feito pelos EUA, preparou Rasguño montar uma farsa. Simulou ter sido atacado e morto pelos guerrilheiros das Farc um ataque que o teria matado. Atribuiu-se às Farc. E a guerillha teria queimado o corpo e espalhado as suas cinzas.

Como se percebe, Rasguño está "vivinho da Silva". Fingiu-se de morto, até para não entrar numa briga interna do Cartel do Vale Norte, onde a autoridade de Don Diego está sendo contestada por Jabon Varela, segundo na hierarquia do cartel.

Diante desse quadro, será que Bush vai pagar os US$5 milhões para Fidel Castro? Na diplomacia, há gente apostando que Fidel vai esperar Bush pedir, diretamente a Cuba, a extradição. Mas, aí, como fazer se as relações estão cortadas há mais de 40 anos e os EUA promovem um bloqueio econômico a Cuba?

A resposta, fica com você, prezado internauta.


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