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UNIVERSIDADE ANTIMÁFIA-CONSELHO DA EUROPA reconhece avanço mafioso. Primeira CARAVANA ANTIMÁFIA chega à França

Por WFM-CARTACAPITAL

Universidade de Roma:cultura antimafia








O Conselho da Europa apresentou o seu relatório anual e destacou o avanço da criminalidade organizada de modelo mafioso nos seus 46 estados-membros.

Com moedas fortes, a Europa mantêm-se atraente para investimentos das associações mafiosas, sem prejuízo da lavagem de capitais sujos também fora do Velho Mundo.

Pelo apurado, as infrações mais preocupantes referem-se aos crimes econômicos, produção e oferta de drogas ilícitas, tráfico de órgãos humanos, desfrutamento e exploração de pessoas.

A globalização das máfias não é mais segredo para ninguém e as organizações não governamentais (Ongs) européias pressionam os Estados e procuram dar capilaridade às suas redes transnacionais antimáfias. Os resultados disso já são sentidos.

A Itália da máfia virou também país da antimáfia, quer pela atuação das Ongs, --isto por meio do seu trabalho de educar à legalidade democrática--, quer pelas medidas legais de contraste, surgidas em resposta aos assassinatos de pessoas comuns e de “cadáveres excelentes”, ou seja, dos que atuavam na linha de frente antimáfia.

Para se ter idéia, as forças italianas de ordem seqüestraram das máfias mais de 5 bilhões de euros, entre 1996 e 2004.

Segundo os estudiosos do fenômeno, a presença das máfias italianas na economia acarreta a perda anual de 180 mil postos de trabalho.

E o produto interno bruto (pib) do Sul seria equivalente ao da região Norte, caso não existissem as máfias: Cosa Nostra siciliana, ´Ndrangheta calabresa, Sacra Corona Unita da Puglia e Camorra napolitana.

Num recém publicado trabalho de levantamento de causas e conseqüências das atividades mafiosas, o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência, destacou estar em ligeira queda o número de mortes por overdose de drogas ilícitas.

De 1990 a 2004, ocorreram 100 mil mortes por uso abusivo de drogas ilícitas. Em alguns países europeus, o número de mortes por overdose entre pessoas do sexo masculino, de 15 a 35 anos de idade, quase igualou aos óbitos em acidentes nas estradas. O pico de mortes por essa causa evitável, droga ilícita, atingiu 8 mil jovens em 2002.

Nessa luta antimáfias sem fronteiras, duas iniciativas fora da esfera governamental merecem lembrança, ambas ocorridas no final do ano passado: A Caravana Antimáfias e o primeiro Curso Universitário sobre a história e o desenvolvimento do fenômeno da criminalidade organizada.

A Caravana Antimáfia partiu de Turim e alcançou Nice. A iniciativa foi da “Libera-Associazioni, nomi e numeri contro le mafie”.

Na famosa vila de Fragonard de acervos de pintores do século XVIII, a Caravana realizou um debate público e perguntou um morador: “Por que Nice, se aqui não existe criminalidade organizada ?”. A resposta foi dada por um integrante da Caravana, Enzo Ciconte, ex-parlamentar e atual assessor da Comissão Antimáfia do Parlamento italiano : -“Quando era jovem, ouvia dizer que a máfia estava sempre na cidade vizinha. Só que na cidade vizinhas afirmavam a mesma coisa”.

Para Ciconte, autor da obra Mafie Straniere in Itália (Máfias Estrangeiras na Itália), “todo lugar pode despertar interesse do crime organizado. Com maior razão onde funcionam cassinos (caso de Nice, que também é vizinha dos cassinos de Monte Carlo). Esses são pontos de mafiosos para estabelecer contatos a permitir a lavagem de dinheiro sujo”.

Além do debate público em Fragonard, a “Caravana Antimáfia” promoveu, no Café da Cultura, a exibição-comentada do premiado filme “Os Cem Passos”, sobre o assassinato pela máfia do jornalista Pepino Impastato. Na presença dos humanistas Jacques Vallet, francês, e Lorenzo Trucco, canadense, discutiram-se questões referentes à imigração clandestina e ao trabalho escravo, lucrativas fontes da criminalidade organizada.

Quanto ao Curso Universitário Antimáfia, realizou-se na Universidade de Roma-3, sob coordenação do supracitado Enzo Ciconte. Durou 47 dias e se inscreveram 500 universitários.

Esses universitários, frisou Ciconte, eram crianças nos anos 90, quando a máfia declarou guerra ao Estado, explodiu bombas em Roma, Milão e Florença, e matou, dentre outros, os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino.

Os univesrsitários começaram por estudar os silêncios para poder conhecer as máfias. Aquele silêncio chamado de “omertà” (lei do silêncio) e que o grande escritor sicialiano, Leonardo Sciascia, definiu como “solidariedade pelo medo”. Um medo pela ineficiência do Estado.


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