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O Vinho de Coca e a Coca-Cola. O czar de Morales poderá ser um cocaleiro.

Por IBGF/WFM

OLHO.
Já está acertado para o dia seguinte à posse de Morales (23/1/2006) o anúncio do novo czar para o fenômeno boliviano da coca. O czar será um cocaleiro, conhecido como braço-direito de Morales. O presidente eleito da Bolívia, --líder cocaleiro Evo Morales--, afirmou que a Convenção da ONU proibe o cultivo da folha de coca, tradicionalmente usada pelos nativos andinos, mas permite que a Coca-Cola use a folha. CONFIRA como o vinho Mariani virou Coca-Cola.

Vila Tunari (Chapare): local onde Evo Morales começou a liderar os cocaleiros.


MATÉRIA.
O VINHO DE COCA E A COCA-COLA

Está de volta a comercialização do outrora festejado ‘vinho Mariani’, com produção iniciada em 1863.

Considerado bebida mágica, foi apreciado e recomendado pelo então presidente dos Estados Unidos William Mc Kinley, republicano de triste memória, que declarou guerra à Espanha e acabou assassinado por um anarquista.

Celebridades como Thomas Edson, Sigmund Freud e o papa Leão XIII, figuraram no rol dos seus degustadores.

Seu produtor, Ângelo Mariani, recebeu da crônica o tratamento de ‘vinicultor’ inspirado por Bacco. Seu ‘vinho’, como propalou-se, dava energia física, potência sexual, bom-humor, além de inibir a fome. Do rótulo, nada de contra-indicações.

De 1863 a 1885, o esverdeado ‘vinho Mariani’ ( -não confundir com o verdicchio, vinho branco produzido na região italiana de Marche-) permaneceu absoluto, ou seja, sem concorrência. Chegou a receber o último impulso quando Freud, em 1884, publicou o ensáio Ueber Coca, objeto de retratação posterior.

O seu sucesso comercial ocasionou numa espécie de ‘delenda Mariani’. Será que foi outra vingança de Dioniso? Afinal, na vida cotidiana dos deuses gregos, Dioniso, por causa de vinho, notabilizou-se no descarregar sua ira contra os camponeses de Ática.

Vinho Mariani, folha de coca em substituição à uva.


No caso Mariani, e esse é o ponto, trocou-se o nectar da uva pelo suco da ativada folha de coca. Na verdade, a concorrência é que derrubou o ‘vinho Mariani’. Começou a despencar em 1885, quando o hábil John S. Pemberton colocou no comércio o ‘french wine cola’, mistura contendo coca e cafeína. Pouco depois, mudou o nome do produto para Coca-cola.

Como em 1859 o químico Albert Neimann isolou o elemento ativo da folha de coca, fácil ficou, passado o tempo e em face de proibições legais, a retirada do alcaloide das bebidas. Da fórmula primeira da Coca-cola, tirou-se o ativo princípio e a empresa, da velha tradição, apenas mantém, na Bolívia, uma área de cultivo de folha de coca.

No final do ano passado, o velho ‘vinho Mariani’ voltou. Pelo que se nota, não vive bons momentos: só é encontrado nas lojas de ‘souvenirs’ de aeroportos bolivianos.

Ainda, não mais concorre com a poderosa Coca-cola. Nas lojas de bugigangas, disputa mercado com réplicas em cerâmica da pequena figura, em estilo Chagras e elaborada entre 1600 e 1500 AC, do bochechudo mastigador de coca.

Aos brasileiros que visitam a Bolívia, é bom não trazer, para não ter problemas com a polícia e a Justiça criminal, a garrafinha do Vinho Mariani. Nem folha de coca ou saquinhos de chá de coca. Agora, CocaCola, não há problema.


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