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Cultura

 

O Vaffanculo Day e a raiz francesa.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

15 de setembro de 2007.

Coluche, o humorista que incomoda os políticos e poderia ter virado presidente da França.


Na França, Coluche fez a avant-premier do Vaffanculo Day.
ROMA. O intelectual francês Marc Lazar acompanha o sucesso do Vaffanculo Day, uma iniciativa do humorista Beppe Grillo, contra os maus políticos.

Ontem, na televisão italiana (Rai-uno), Beppe Grillo tomou conta da audiência. Pouco sobrou para a concorrência.

Fora isso, milhões de italianos assinaram a sua lista, ou seja, de apoio ao projeto de lei de Beppe grillo voltado à reforma política.

Marc Lazar lembrou que foi o humorista francês Coluche, o primeiro a convocar os cidadãos e todos a mandar os políticos “tomarem naquele lugar”. Igual ao Vaffanculo Day, de Grillo.

A frase de Coluche era “Todos juntos a mandá-los tomar no cu”.

Como registra Marc Lazar, o movimento de Coluche ocorreu há 26 anos. Contou com impressionante participação popular. A respeito, na enquête, e logo no primeiro mês, Coluche tinha 16% dos votos para presidente e batia todos os demais políticos postulantes.
Ao perceber que venceria a eleição presidencial, Coluche explicou que “fazia o crítico, mostrava sua indignação, tinha consciência do seu dever profissional”. Em resumo, jamais seria candidato à presidência da França ou abraçaria a carreira política.
Coluche usou contra os políticos e a política a arma potente da comicidade, da provocação. Forneceu a dose exata de ironia contra a “roubalheira” dos políticos franceses.

À época, o presidente da França era o aristocrático Giscard d´Estaing. Aquele que embolsou diamantes do ditador africano Bokassa. Mais, e sempre segundo Marc Lazar, esquerda e direita fizeram um conluio. Em outras palavras, faziam acertos indignos e deixavam os interesses dos representados (eleitores) de lado. E a isso Coluche (vede slogan na foto acima) chamou de disfunção da democracia. Coluche desnudou a mistificação da democracia representativa.

PANO RÁPIDO. Quem acha que o Brasil não passa pela mesma crise de credibilidade, faça sua filiação paridária e tenha como líder, por exemplo, Renan Calheiros, Artur Virgílio ( responsável pela votação secreta, quando convinha ao seu partido), Aloísio Mercadantes ( aquele do voto indecoroso de abstenção, pois em dúvida se houve quebra do decoro por parte de Renan), et caeterva (como diriam os romanos).


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